Para ti, que assinavas os teus texto com um gato, e não me deste tempo suficiente para te conhecer...
Domingo, Julho 12, 2009
Vazio
Tenho saudades de conseguir escrever. Muitas vezes aqui venho, mas outras tantas regresso deixando para trás um espaço em branco. Não consigo que me seja fluído. Não "sinto sentimentos" que me motivem a deixar aqui algo. Nem negativos nem positivos. Não que não os tenha, mas o meu actual estado de alma não os deixa fluir para palavras. Talvez por não perdurarem. Sinto falta de que isso me seja natural. Sinto falta dessa companhia...
Com uma vida muito curta, o Olho de Gato foi desactivado e substituído por uma participação num website de fotografia digital, em que não recorro ao anonimato. O Gato Gaspar dedicar-se-á apenas à escrita e o meu nome será utilizado livremente no website de fotografia, assim como faço quando publico num qualquer jornal.
Se um chefe se dirigir a um dos funcionários que trabalham sob a sua tutela e o agredir fisicamente, provocando-lhe pouco mais do que uma dor momentânea ou uma nódoa negra, é passível de processo disciplinar com as inerentes sanções, ou mesmo despedimento. Poderá ainda vir a ter problemas com a justiça, caso o funcionário pretenda apresentar queixa por agressão às autoridades. No meio disto tudo e se se tratar de um acto isolado, o funcionário sofrerá pouco mais do que um desconforto físico e algum stress associado a toda a situação.
Então por que é que uma chefia, que persegue constantemente um funcionário por razões alheias à sua qualidade profissional, que o desmotiva ao ponto deste se angustiar a cada manhã antes de sair de casa para o trabalho, que lhe cria uma apatia que leva a uma improdutividade crónica, que lhe causa ansiedade ao ponto da tensão atingir valores perigosamente elevados e de forma contínua, pode prosseguir impunemente com esse comportamento?
As situações de violência emocional, por serem pouco palpáveis, são sempre difíceis de provar e são, sobretudo altamente desvalorizadas na nossa sociedade.
A solução geralmente apontada é: quem está mal, muda-se. Mas infelizmente as pessoas dependem do seu trabalho para sobreviver e para manterem os compromissos já assumidos. Pelo que, na maior parte das vezes, a fuga não constitui alternativa.
À luz da arte de interpretação de comportamentos o que revelará, no que respeita ao nosso estado de espírito e motivação, o sentirmos conforto em olhar para um temporizador em contagem decrescente para a hora de saída, colocado junto ao monitor do nosso computador do local de trabalho, ainda que saibamos que ainda faltam mais de seis horas para esse aguardado momento?
Sendo este um espaço dedicado às letras e não às imagens, fiz nascer o Olho de Gato - um outro espaço dedicado à minha visão do mundo, mas desta forma por intermédio de uma câmara fotográfica.
É impossível fazer qualquer coisa à prova de idiotas porque estes são extremamente engenhosos. Esta sabedoria de um qualquer povo, ou de todos, deveria ser afixada na sede nacional da Protecção Civil. Para além da necessária actividade deste organismo de socorrer aqueles que se vêm surpreendidos por acontecimentos extraordinários (na sua maior parte provocados pela acção da natureza), esta instituição estatal passa grande parte do tempo a proteger as pessoas da sua própria falta de inteligência e sentido auto-preservação. É ano de eleições, os partidos da oposição não perdem a mínima oportunidade de apanhar o governo em falso. Neve nas terras altas e a demora na abertura de estradas e apoio a viaturas empanadas (um problema que se arrasta há anos, muito por fruto de sermos um país reactivo e não proactivo) é um motivo como outro qualquer para fazer chinfrim, pelo que toca de chamar o Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil ao parlamento, para explicar porque é que os carros cujos condutores não usam correntes ficam empanados na neve e gelo. Os condutores Serranos, no que respeita ao uso de correntes, são como os pescadores que acham que os coletes salva-vidas são para maricas. Resultado, uns continuarão a morrer afogados e outros ficarão toda a sua vida empanados. Com centenas de condutores negligentes empanados (de um lado e do outro da faixa de rodagem) e estradas estreitas, expliquem-me como é que um limpa-neves consegue sequer transitar? Bem podem os deputados arengar contra o Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil, mas enquanto problemas estruturais das estradas Portugueses, e da mentalidade dos Portugueses, não forem corrigidos, cada vez que neva as Serras do Centro e Norte do país continuarão a parar.
O ano mudou. Porque é que temos esta sensação de ano novo, de que nada foi tocado, quando transitamos de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro? Na verdade essa sensação deveria ser tida todos os dias, dado que a cada hora, a cada minuto, a cada segundo, temos toda uma vida nova pela frente.
Adoro um bom debate, a troca de ideias. Confesso que, quando tenho uma opinião algo vincada consigo argumentar até à inconsciência do meu interlocutor. E sabe bem quando do outro lado temos alguém que também o sabe fazer. Mas confesso que não tenho grande paciência para as pessoas que não aguentam um bom debate académico, mesmo que o tenham principiado, cedendo à irritação de escutar argumentos com os quais não concorda. Há que compartimentar, separar as águas. Não nos podemos irritar simplesmente porque alguém não partilha da mesma forma de ver o mundo. Simplesmente não tenho paciência para quem não a tem.
Subo o volume e entro no mundo que me é reservado. Deixo-me levar pela música. Descobri que preciso deste refúgio para conseguir abstrair-me das distracções que apenas nos permitem conhecer as cores pálidas do mundo. É como se desse um passo atrás e me visse ao portátil a escrever este texto. As cores tornam-se mais fortes, os movimentos dos que me rodeiam mais definidos e plenos de sentimento. A vida corre agora mais devagar. O meu corpo, os meus dedos, fluem de forma grotesca desenhando prosas e movimentos ao sabor da música. Dou voltas à sala, visitando e demorando-me em cada ponto. Pairo e encontro história em cada objecto, em cada sono, em cada página de jornal folheada. Termina a música, regresso ao meu lugar e procuro o ponto final no meu teclado.
Em tempos debatia-me com a questão de se seria ou não resistente à mudança. Cheguei a acreditar ser um qualquer velho do Restelo quando confrontado com a novidade. Em tempos era também mais susceptível aos comentários e opiniões de terceiros acerca de mim. Hoje sei que sou resistente à mudança, mas apenas àquela que me tentam impor e com a qual não concordo. Adoro a mudança, mas gosto de ser eu o seu motor na minha vida. Hoje sigo o meu próprio Norte, mas sou capaz de ajustar o leme se concordar com o novo rumo.
O interesse de Mário Nogueira e da Fenprof nesta guerra contra o modelo de avaliação de professores é óbvio para quase todos menos para os professores - é ano de eleições e o seu partido (PCP, sendo que parte dos dirigentes dessa frente sindical pertencem ao Comité Central) pretende tirar dividendos desta contenda, talvez com impacto na maioria absoluta do Partido Socialista. Mário Nogueira ambiciona ainda o lugar de Carvalho da Silva. É que também há carreira no sindicalismo. Mas por que é que os professores não concordam com este modelo? Por causa da burocracia? Não, metade da burocracia é criada pelos próprios quando definem infindáveis pontos de avaliação, para além de que há escolas que já conseguiram simplificar essa burocracia. Uma das razões apontadas é o facto de serem avaliados por professores que não pertencem à mesma área (e.g. informática a avaliar literatura). Mas não havendo professores com a mesma experiência e do mesmo escalão qual seria a solução já que os professores nunca aceitariam ser avaliados por professores com menos experiência de ensino? Professores de outra escola então nem pensar, afinal não conhecem a realidade da que estariam a avaliar. Inspectores do Ministério da Educação muito menos, nem sabem já o que é dar aulas (tal como os sindicalistas, mas com esses não há problema). Qual é a solução meus caros? Auto-avaliação, como já foi proposto pelos sindicatos? Pois claro, ouro sobre azul. Proponho ainda melhor: auto-avaliação, só pela desportiva, com passagem administrativa com a nota mais elevada, sem qualquer cota máxima para a mesma e promoções automáticas por antiguidade. E que tal? Não vos parece algo muito parecido ao que existiu até agora?
Claro que os professores têm todo o interesse em protelar o processo de avaliação. Caso este vá para a frente, os professores incapazes que permitem situações como esta seriam expostos e penalizados.
É engraçado assistir ao comportamento dos pequenos líderes de carneiros. Rodeiam-se dos seus aduladores, eles próprios de papo cheio de coragem-em-matilha, para procurarem atingir com palavras ou actos os alvos da sua chacota. Transpondo essa realidade para a actualidade, quando estes pequenos rufias se vêem confrontados com alguém que não conseguem atingir com as suas arremetidas verbais, chegam a tentar, numa atitude de desespero Neandertal, ganhar em terreno físico através de brincadeiras de demonstração de força. É engraçado o quão desesperadamente o ser humano procura distanciar-se dos animais, em comportamento, quando dá tantos exemplos de não ser minimamente diferente.
A época bate à porta. Mesmo que estivéssemos distraídos, a grande máquina associada ao comércio, o tradicional e outro nem tanto, lá trataria de nos lembrar. Luzes, árvores de natal gigantes, lojas enfeitadas com motivos alusivos à época e muito, mas mesmo muito por onde gastar dinheiro. Independentemente da forma como chegamos à conclusão de que estamos em época natalícia, esta tem, para cada um, um significado e sentimento prevalecente diferentes. Há os que se enchem de alegria e motivação, há os que só vêem um período igual aos outros, mas com as lojas entupidas, e há ainda aqueles para os quais o Natal não traz quaisquer boas memórias ou motivos de felicidade. Para mim o Natal é uma época pela qual anseio, tal como alguns anseiam pelo Verão e tempo de praia. No Natal e em toda a época que o precede há algo de mágico, nostálgico. Os próprios alimentos para os sentidos me transportam imediatamente para esse sentimento, fazem parte do colorir da época. Falo do cheiro a madeira queimada que sai das chaminés das casas, das castanhas, do frio, das luzes pelas cidades. Talvez por isso inicialmente estranhasse o facto desse sentimento nem sempre ser transversal às pessoas com quem contactava. Mas como em muitas das nossas certezas, derivadas do desconhecimento ou da inércia em tentarmos exercitar o nosso pensamento no porquê, também aqui simplesmente nunca tinha procurado perceber um pouco mais do que apenas de forma superficial. Porque isso implicava conversar com as pessoas. O Natal, por muito que muitos ainda se esforcem, já deixou de ser uma festa religiosa. Mas se ainda for uma festa de família, como para mim o é, acho que nem tudo se perdeu quanto ao seu objectivo. Mas o Natal, por ter essa conotação familiar, não significa para todos uma época idílica de troca de prendas e risos, de doces confeccionados a muitas mãos, de encontros de várias gerações e troca de sabedorias; para muitos o Natal é uma altura de reflexão e nostalgia, do porquê se encontrarem sós, uma altura de recordarem com tristeza aqueles, vivos e mortos, que partiram das suas vidas, por sua culpa ou não; mas também uma época em que se recorda toda uma história de Natais infelizes, cuja marca não permite, sem ajuda, que se libertem desse manto negro da memória; uma altura em que pais se vêem afastados dos seus filhos, devido a quezílias de adultos. Não é fácil procurar transmitir o espírito àqueles que carregam tão pesado fardo. Como é que nos atreveríamos? Mas sabe bem quando assistimos, aos poucos, ao momento em que algumas pessoas encontram o seu Natal. Começam a construir a sua família e a deixar para trás os fantasmas do passado. É nessas alturas em que assisto ao próprio Natal funcionar. E aí é tão bom.
Olho para o ecrã ainda vazio. Sei que o quero preencher com algo, não sei o quê. As letras que se lhe vão colando fazem-me companhia. Hoje, como nos últimos dias, não quero ser apenas um veículo de notícias ou compor mais um artigo de opinião, sobre mais um qualquer tema de uma actualidade requentada, ou de tempos outros. Hoje não. Nem sequer almejo produzir beleza com a minha prosa, seja alguma vez capaz disso aos olhos de quem me lê. Hoje precisava apenas de escrever. Precisava de algum tipo de escape, sem me preocupar com um princípio meio e fim. Essa necessidade trouxe-me aqui agora. Nada saiu que vos cative, mas algo fluiu que me trouxe uma paz boa.
Sento-me no meu sofá, portátil no colo. Os auscultadores trazem-me uma paz autista, a música é-me familiar e enche-me de vida. Está quente, quente bom. O quadro em redor conforta. Vejo-me envolto nas acolhedoras luzes amarelas do candeeiro e do aquecedor de halogénio, observo gatos espalhados em redor deste último, a dormir. O sono dos gatos é um dos calmantes naturais mais poderosos que conheço. Molduras expostas em gradiente temporal refletem as luzes da árvore de natal, mas também momentos mais ou menos passados de coisas boas, de alegria. As endorfinas que se espalham pelo meu corpo decretam um bem-estar não combatível. Deixo-me ir. Recosto-me, passo uma vez mais os olhos por todo este quadro e escrevo.
Adoro escrever! Acho que o faço com qualidade, ainda que limitada. Considero estar ainda em fase de contínuo amadurecimento. Gosto de brincar com palavras, frases, transformando-as em ideias, expressões. O Português é tão rico, que nos permite toda uma miríade de estilos e estéticas linguísticas. A linguagem, verbal, escrita, é muito do que nos distingue como seres civilizados. E dominar a arte que é a nossa linguagem deveria ser uma das metas individuais de cada um. Mas a verdade é que tal não acontece. E tendo noção que a educação parental, e sua subsequente académica, têm um papel determinante na nossa aprendizagem da língua materna, o que mais me choca não é a incapacidade de alguns em escrever e falar português, mas sim o desvalorizar dessa incapacidade. E se é verdade que muitos o desvalorizam como uma qualquer forma de defesa emocional perante essa dificuldade, há muitos que, simplesmente, não o consideram importante. No ramo da ciência é frequente as pessoas encararem o domínio da língua como feudo exclusivo dos adeptos das humanidades. Muitos têm inclusive que recorrer a colegas para que os seus textos científicos sejam revistos antes de os submeterem a publicação. E aqui falamos de pessoas com formação parental e académica, não de alguém sem acesso a educação. Nesses casos trata-se apenas de uma chocante (na minha modesta interpretação) falta de interesse pelo domínio da sua língua, algo que deveria ser considerado um símbolo da nossa maturidade atingida de adultos. E não falo de eloquência literária, falo sim do domínio básico de ortografia e gramática. Eu gosto de escrever. Gosto de tamborilar nas teclas do teclado do computador, agora que me assumo demasiado preguiçoso para escrever à mão. Gosto de sentir-me capaz de, através da combinação de letras, palavras, frases, conseguir transmitir ao próximo quem eu sou e o que sinto. Escrever faz-me sentir independente, livre.
Acho que é claro ao mais distraído que o PS já não é um partido de esquerda. Talvez possamos arriscar um centro-esquerda, mesmo assim não será uma aposta livre de risco. Eliminada que está esta dúvida, que potencialmente poderia lançar alguma confusão sobre nichos a ocupar, parece-me claro que o país necessita de alguém que recorde a quem governa que vivemos num estado social, logo com valores de esquerda que, independentemente da força partidária à frente do governo, não podem ser negligenciados. Esse nicho deveria ser ocupado pelas duas principais forças de esquerda vigentes - PCP e Bloco de Esquerda (isto se não contarmos com Manuel alegre, que ultimamente parece ter mais força do que os outros dois partidos juntos). Mas parece que estes não consideram o partido do governo digno de se fazer oposição, ou mesmo o principal partido de direita (ainda que este se preocupe mais em fazer oposição a si próprio). Ao invés disso, parece que estas duas forças de esquerda parecem estar demasiado ocupadas a fazer oposição a si próprias. Já a abrir o congresso do PCP, Jerónimo de Sousa começou a atacar o Bloco de Esquerda, com tanta matéria mais à direita para se entreter. Passam a vida a acusar-se um ao outro de roubo de ideias, de fazerem acusações. Assim e com maioria absoluta, é demasiado fácil Senhor Primeiro Ministro.
Estamos em ano de crise. O estado anuncia um aumento de 2,9% para a função pública em 2009. Os próprios empregadores privados, que se costumam reger pelo valor do estado para os seus próprios aumentos mas que normalmente aumentam um pouco mais, dizem que o valor é impraticável, dada a presente conjuntura económica. Os sindicatos dizem que não aceitam menos de um aumento de 5% e ameaçam com a greve geral. Bem… parece-me uma exigência responsável. Sobretudo de um bando de sindicalistas profissionais que, de outra forma, não teriam o que fazer.
Sermos aquela pessoa que tem o hábito de dizer o que pensa a certos personagens que exibem comportamentos criticáveis, quando mais ninguém o faz, não faz de nós corajosos mas sim estúpidos. E é assim que cada vez mais me sinto. As pessoas, ainda que o verbalizem, não querem ouvir a verdade, querem sim continuar a acreditar na realidade que fabricaram para si.
Cada vez mais admiro os governantes Portugueses, por um motivo apenas: eu teria sérias dificuldades em ter uma postura democrática quando me deparasse com a estupidez humana. Acharia sempre que certas pessoas são demasiado estúpidas para decidir o seu próprio futuro. Numa abordagem optimista ao claro problema que esta minha forma de pensar levanta, este tipo de filosofia governativa, que provavelmente praticaria, faria de mim um brilhante ditador.
Brief Reflection on Cats Growing in Trees - Miroslav Holub
"When moles still had their annual general meetings and when they still had better eyesight it befell that they expressed a wish to discover what was above.
So they elected a commission to ascertain what was above. The commission dispatched a sharp-sighted fleet-footed mole. He, having left his native mother earth, caught sight of a tree with a bird on it.
Thus a theory was put forward that up above birds grew on trees. However, some moles thought this was too simple. So they dispatched another mole to ascertain if birds did grow on trees.
By then it was evening and on the tree some cats were mewing. Mewing cats, the second mole announced, grew on the tree. Thus an alternative theory emerged about cats.
The two conflicting theories bothered an elderly neurotic member of the commission. And he climbed up to see for himself. By then it was night and all was pitch-black.
Both schools are mistaken, the venerable mole declared. Birds and cats are optical illusions produced by the refraction of light. In fact, things above
Were the same as below, only the clay was less dense and the upper roots of the trees were whispering something, but only a little.
And that was that.
Ever since the moles have remained below ground: they do not set up commissions or presuppose the existence of cats.
Já sabia que era completamente fotodependente. A luz é um requisito na minha vida, na ausência do qual o meu estado de espírito se altera. Não fico deprimido pela ausência de luz (quer devido ao Inverno ou simplesmente à chegada da noite) mas se de alguma forma já estou em baixo, a situação agrava-se exponencialmente. Sinto como se o mundo se fechasse sobre mim, sinto-me emocionalmente encurralado, tenho dificuldade em ver para além do problema que me angustia. No entanto ainda não me tinha apercebido do quão era influenciado pelo contrário, a presença de luz de uma forma contínua e mais alargada. Os meses de Maio, Junho e Julho (em especial Junho, o mês com os dias mais longos) têm uma influência quase gritante no meu humor, na minha abertura para o mundo em meu redor. É nesta altura muito particular que estou mais disponível para os meus amigos, para novas experiências. É nesta altura também que a minha produtividade atinge o seu pico, a pessoal, porque a profissional invariavelmente atinge o seu mínimo, dado que me apetece fazer tudo menos trabalhar neste período. Qualquer coisa que limite o meu tempo pessoal (e por tempo pessoal refiro-me ao que eu quero fazer, não ao que as minhas obrigações de ser social me obrigam) torna-se verdadeiramente antagónica, dificultando qualquer tipo de concentração ou empenho da minha parte. Nasci a meio de Julho, mas diz a lenda familiar que tal foi devido a erro médico, dado que em Junho teria completado os 9 meses. Faz-me muito mais sentido agora.
Hoje, em resposta a um pedido de um colega de trabalho de mandar cumprimentos a um dentista que temos em comum, dei por mim a responder que preferia não o fazer. Não o quis fazer porque, involuntariamente, esse cumprimento ia originar em perguntas que levariam ao meu local de trabalho e ao que eu faço. Para que os que me conhecem e dado que vivo na aldeia que é o Algarve, saberão que isso significaria que rapidamente ficaria conotado como aquela pessoa que trabalha no local X e que desempenha as funções Y. Dei por mim, pela primeira vez, a ter consciência da tranquilidade que me transmite o facto de estar naquela sala de espera completamente anónimo. Mais uma pessoa a ler um qualquer livro ou revista, enquanto aguarda a sua vez. Não tenho a presunção de me achar uma pessoa muito importante ou sequer conhecida. Mas o conforto que me apercebi que sinto naquela sala de espera, em que não tenho que me preocupar com nada senão com os meus pensamentos, com o fazer conversa de circunstância, comportar-me da forma adequada à posição que ocupo ou às funções que desempenho, é algo que só recentemente me apercebi que sentia. Sabe bem o anonimato. Em cidades como Lisboa, de onde sou originário, é algo comum. Mas no Algarve é cada vez mais complicado não tropeçar em alguém que nos conheça.
Step one you say we need to talk He walks you say sit down it's just a talk He smiles politely back at you You stare politely right on through Some sort of window to your right As he goes left and you stay right Between the lines of fear and blame You begin to wonder why you came
Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life
Let him know that you know best Cause after all you do know best Try to slip past his defense Without granting innocence Lay down a list of what is wrong The things you've told him all along And pray to God he hears you And pray to God he hears you
Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life
As he begins to raise his voice You lower yours and grant him one last choice Drive until you lose the road Or break with the ones you've followed He will do one of two things He will admit to everything Or he'll say he's just not the same And you'll begin to wonder why you came
Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life
Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life How to save a life How to save a life
Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life
Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life How to save a life.
Somos alvos fáceis das nossas emoções. E quanto mais fortes estas são, mais facilmente caímos na sua armadilha. Se formos mais ou menos inteligentes, ainda temos a capacidade de racionalizarmos e apercebermo-nos que estamos a agir com base unicamente em emoções e, consequentemente, de uma forma não ponderada e desproporcionada. O sentimento é tão intenso que, por vezes, a razão permite-nos apenas manter a cabeça um pouco à tona de água, para rapidamente nos vermos puxados para o interior do mesmo remoinho, no qual a nossa mente chafurda incansável mas, ao mesmo tempo, desesperantemente. Parecem aqueles momentos desesperantes da twilight zone. Em que o homem parece que consegue sair da cidade assombrada, para se aperceber que regressou ao ponto de partida.
Por vezes sinto que os diversos contextos que constituem a nossa vida nos obrigam a desempenhar diferentes papéis. Dependendo do contexto em que nos encontramos, desempenhamos o que é uma mistura do personagem que consideramos adequado ao mesmo, e daquele que esperam que nós sejamos, quer seja em contexto pessoal, profissional ou social. Não digo que sejamos falsos, ou meros actores. Em cada um dos personagens que encarnamos pomos tudo de nós. Simplesmente adequamos-nos às exigências da sociedade vigente. O homem é, por natureza, um ser egoísta, ainda que algumas pessoas, em alguns momentos, se esforcem por não o ser. Eu sou egoísta! Eu gosto de ter tempo para mim. Para escrever, para ouvir a música que quero no volume que quero, ou, simplesmente, para deambular em pensamentos mais ou menos construtivos. Nem sempre necessito de muito tempo, mas quase sempre necessito de algum. Hoje tive 15 minutos, durante os quais me permiti ser eu mesmo. Durante esse tempo dei a volta ao mundo e regressei, num turbilhão de pensamentos, sentimentos e emoções. Apeteceu-me, por um momento, falhar o parque de estacionamento do meu local de trabalho e seguir sem destino certo. Talvez terminar numa praia onde pudesse escrever. No entanto foi o meu personagem profissional quem falou mais alto. Sem contemplações, travou a fundo todo meu egoísmo e ambições de liberdade momentânea, e estacionou o carro. Hoje, durante 15 minutos, ofereci-me a mim mesmo o luxo de poder ser eu mesmo.
A minha cabeça é a minha barreira. É aqui que eu defino a fronteira entre a minha privacidade e o mundo, sedento de fazer parte, de avaliar, de opinar, de ajudar, de julgar. Gosto de me dar com moderação, mantendo o controlo sobre o que partilho. Por vezes consigo, outras nem por isso. Newton postulou que “para cada acção há sempre uma reacção oposta e de igual intensidade”. O ser humano não vive de acordo com essa lei. As reacções das pessoas dependem de muitas variáveis, entre as quais, a sua moral, a sua visão do mundo, a forma como interpretaram essa mesma acção. Desta forma, as suas reacções podem ser completamente desproporcionadas no que respeita às acções que as precederam. Ou simplesmente proporcionais à sua percepção da realidade. Gostava poder gritar amor e ódio sempre que quero. Gostava de não ser julgado pelas minhas emoções. Gostava de poder demonstrar livremente o que penso sobre pessoas e processos, quando e sempre que quero. Há quem diga que posso, mas a verdade é que “para cada acção há sempre uma reacção”, mas no que toca a emoções e ao ser humano, nem sempre esta é proporcional. Em particular porque a interpretação que cada um faz do mundo que o rodeia é subjectiva. Eu não estou disposto a expor-me a julgamentos de valores, às opiniões alheias, não estou disposto a expor-me à praça pública. Para assegurar tal guardo os meus sentimentos para mim. Atitude que já me valeu inúmeras repreensões de amigos e suas imitações, dado que é muito pouco própria da sociedade social em que vivemos, característica dos povos latinos. PV = nRT é a lei que define o comportamento dos gases ideais, quando colocados num recipiente estanque e pode ser transponível, nesta minha interpretação, para a mente humana. There's so much one can take. A nossa mente é plástica, mas tem os seus limites. Ao nos vermos forçados a conter sentimentos tão fortes, ao nos vermos impedidos de gritar ao mundo o que nos vai na alma, a pressão interna aumenta e, eventualmente, o recipiente dá de si. Eu sou uma pessoa controlada nas minhas manifestações emocionais. Mas sinto o efeito nefasto de toda essa contenção. Aguentar emoções é tanto pior quando estas tocam os extremos. É tortuoso quando não podemos explodir com quem nos faz mal, reagir, defendermo-nos. E é igualmente violento estarmos na presença de quem amamos e não podermos simplesmente abraçar e declarar esse amor. Em vez disso, optamos por dar a ilusão de um comportamento contido e detached. Sorrimos e continuamos rodeados dos nossos amores e ódios, breezing through it. Aumentamos um pouco o T da nossa equação, mas seguimos seguros de não ter que lidar com a caça às bruxas dos provedores da moral social.
Um sorriso, uma ausência, uma SMS, a demora numa resposta, a cumplicidade de um olhar, o desviar de um outro, são os responsáveis por sermos transportados para o topo mais alto do mundo, ou arrastados para a mais profunda tristeza. Afirmamo-nos como indiferentes à aprovação alheia mas, quando chega àquela pessoa, em determinado momento da nossa vida, tornamo-nos inseguros, bebemos cada reacção, interpretamos cada piscar de olhos, sofremos cada segundo a mais numa ansiada resposta. Todos nós já passámos por aquele momento crucial em que ou vivemos na eterna incerteza se os nossos sentimentos para com o outro são correspondidos, ou nos expomos ao escrutínio. É a altura em que cruzamos aquela fronteira invisível entre a cordialidade, o companheirismo, a amizade e um sentimento mais intenso. Sou da opinião de que não devemos guardar para nós esse sentimento. Independentemente do resultado, devemos dar-nos (e ao outro) a oportunidade. What if...? Mas os momentos que se seguem são de verdadeira tortura emocional. Torna-se quase insuportável fisicamente. Não nos conseguimos concentrar em nada, olhamos três a quatro vezes para o telefone, email ou telemóvel; começamos a ler ou a escrever um parágrafo três ou quatro vezes, para conseguirmos apenas voltar ao início; perdemos o apetite. E... entregamos-nos ao perigoso jogo do mind-reading. Fazemos interpretações de silêncios, de demoras na resposta, da própria resposta. A comunicação escrita, a menos que vestida para o efeito, nem sempre é clara nas emoções que lhe conferimos. Muitas vezes consideramos que fomos claros nas nossas emoções, nos nossos objectivos. Cada palavra vai tão carregada de emoção que achamos que traduz tudo o que nos vai no coração. Mas se nunca fomos alguém com o dom da escrita, ainda que a nossa cabeça fervilhe de poesia e literatura romântica, as nossas mensagens não serão capazes de traduzir tanto sentimento. Como resultado recebemos respostas à nossa mensagem real e não àquela que achamos que enviámos, o que normalmente resulta em desapontamento ou mesmo em fazermos, mais uma vez, interpretações erradas. Mas e quando recebemos um claro sinal positivo do outro lado? Quando sentimos... reciprocidade? Aí, não creio que exista foguetão da NASA que nos possa levar às nuvens mais depressa do que aquele sorriso, aquele aceno, aquela mensagem ou olhar. Aí muito daquilo que já descrevi para a antecipação à resposta se repete, mas com a diferença que os nossos pés não conseguem tocar no chão. Voamos baixinho. Aí? Aí é muito bom!
Fui ver aos registos do meu telemóvel pessoal e do meu telemóvel profissional e, entre os dois, perdi mais de 98 horas ao telefone. Sendo que só tenho o aparelho profissional desde 12 de Julho de 2007 e o pessoal desde 15 de Dezembro de 2007, significa que esta contabilização abarca menos de um ano de chamadas telefónicas. Em menos de um ano perdi quatro dias inteiros da minha vida a falar ao telemóvel. Porquê perdi? Porque as muitas horas em que estive agarrado a um e outro aparelho privaram-me do meu tempo. Privaram-me de fazer o que gosto, de estar com as pessoas que me fazem feliz. É certo que esses mesmos telemóveis me proporcionaram uma proximidade de quem amo, em alturas de grande distância física, mas as recordações que perduram são as outras em que me senti preso a conversas e discussões das quais não consegui fugir. Muito gostam as pessoas de perder horas da sua vida agarradas a conversas em que não se conseguem olhar nos olhos os nossos interlocutores, em que não se conseguem interpretar expressões, reacções momentâneas. Quatro dias em menos de um ano, que desperdício.
Calm down And get straight It's in our eyes It's how we operate
You're true You are I'd apologize but it won't go very far
Please come here Come right on over And when we collide we'll see what gets left over
A little joy A little sorrow And a little pride so we won't have to borrow Wherever you lead, I'll follow
Turn me inside out and upside down And try to see things my way Turn a new page, tear the old one out And I'll try to see things your way
Please come here Please come on over There is no line that you can't step right over Without you well I'm left hollow So can we decide to try a little joy tomorrow 'Cos baby tonight I'll follow
Turn me inside out and upside down And try to see things my way Turn a new page, tear the old one out And I'll try to see things your way
The way that we've been speaking now I swear that we'd be friends, I swear 'Cos all these little deals go down with Little consequences, we share, we share
Turn me inside out and upside down And try to see things my way Turn a new page, tear the old one out And I'll try to see things your way
And I'm gonna love you anyway Try to see things your way Try to see things your way Try to see things your way
Não somos quem gostaríamos de ser, nem que nos esforcemos. Somos exactamente aquilo que somos. Aquilo que passamos para fora, independentemente de ser verdadeiro ou fabricado, o produto, caracteriza-nos. Caracteriza-nos por sermos fracos, por sermos fortes; por sermos estupidamente honestos, por sermos exímios na mentira; por assumirmos os nossos gostos e estilo, por tentarmos copiar um qualquer estilo alheio. O resultado é sempre o mesmo - a nossa personalidade, o nosso carácter. Sejam estes fracos ou fortes. E no final do dia, apenas nós podemos estar orgulhosos ou desapontados connosco próprios. Porque, na realidade, não há ninguém que verdadeiramente nos conheça. Há pessoas que conhecem diferentes partes do puzzle, que é o nosso labiríntico todo, mas apenas isso mesmo, fragmentos. Porque, em última análise, ninguém consegue entrar na nossa cabeça senão nós próprios.
Invariavelmente, as pessoas que nos pedem a verdade, que sejamos nós próprios, são as mesmas que nos procuram moldar de acordo com o seu ideal. Estranho, não é?
Desculpem-me, se for o caso, mas a verdade é que sou um fã absoluto da língua Portuguesa, assim como ela está. Se concordam comigo, assinem esta petição e divulguem. Há muitas petições aí a decorrer, mas a verdade é que esta tem algum peso. E quantas mais pessoas assinarem mais forte fica.
Ontem olhava para a imagens da manifestação de professores na cidade de Lisboa e não conseguia encontrar em mim algum sentimento de empatia ou respeito pela mesma. Cantava-se - vitória, vitória! Mas saberiam os professores que não saíram vitoriosos daquela manifestação? Saberiam que a vitória foi dos sindicatos e do partido comunista que os manieta? O sindicato dos professores é capaz de ser o mais intramsigente e manipulador que conheço. Dirigentes que há muito não sabem o que é estar numa sala de aula, incutem nos professores o papão do desconhecido. E claro, como a qualquer funcionário público, as palavras "perda de direitos adquiridos" e "avaliação" fazem com que tremam até à medula. Os professores que têm que temer a avaliação são os mais velhos, já acomodados a não terem que se preocupar com o seu trabalho, aguardando apenas promoções automáticas. Quando inquiridos pela comunicação social, a maioria dos professores afirmava não ser contra a avaliação, apenas contra o timing e contra a falta de informação sobre esta. E a verdade é que os sindicatos foram brilhantes no aproveitamento desta falta de conhecimento sobre o documento, para mobilizar milhares de docentes. Descontentes sim, mas a maioria deste descontentamento é para com problemas que se arrastam de governo para governo, que nada têm a ver com esta ministra e com este processo. Há anos que os docentes têm problemas graves, como a insegurança de carreiras, a falta de condições. A avaliação de profissionais é algo essencial para se separar o trigo do joio. Essencial para livrar o sistema de ensino, e restante função pública, de uma série de parasitas e pesos-mortos que só prejudicam quem quer trabalhar, dado que lhes fazem sombra, e que não produzem. Vitória, vitória! Parabéns à oposição, essa sim tem razão para esfregar as mãos de contentamento.
O mundo é tão rico. Rico em beleza, rico em sentimentos, rico em novidades, rico na nossa vida, rico na vida dos outros, rico em arte, rico em adrenalina, rico em experiências, rico em oportunidades. Mesmo sem irmos ao seu encontro, mesmo quietinhos no nosso canto, é enorme o leque de coisas diferentes a que estamos expostos num só dia. Experimentem. Sentem-se numa qualquer cadeira, reclinem-se para trás ao som de uma boa música e lembrem-se do que viveram nos últimos dias. Não é preciso terem esquiado uma montanha, ou saltado de uma ponte. A nossa vida é feita de todo um conjunto de pequenos nadas que a faz simplesmente deliciosa.
Gosto de música! Que estilo? - perguntarão alguns. Não sei. - Respondo eu. Nunca me foi possível definir um estilo de música. Quem gosta de música creio que consegue gostar de diversos estilos de música (pessoas diferentes, músicas diferentes, naturalmente), dependendo da forma como esta mexe com essa pessoa. Gosto de música pela sua leveza, ou pela força das emoções que traz ao de cima; gosto da música pela alegria ou pela calma que me traz; gosto da música pela sua letra ou pela sua musicalidade. As diferentes características que procuro numa música levam-me a gostar de músicas de diversos estilos. Posso gostar de uma música de um determinado grupo ou artista e não gostar das restantes. Se se trata de mainstream ou alternativa pouca coisa me importa. Quem se recusa a ouvir mainstream também anda em rebanho, apenas segue um rebanho diferente. Em honra a essa ideia deixo-vos aqui uma música que provavelmente já foi pouco conhecida, mas que agora, devido ao filme do qual faz parte da banda sonora, passará a sê-lo menos. Enjoy.
Descobri que, cada vez mais, estou a perder a capacidade de comunicar. À medida que envelhecemos, em teoria, amadurecemos e melhoramos a nossa capacidade de nos expressarmos, ao nível da escrita e da oralidade. Talvez... Mas cada vez mais me convenço que vamos perdendo a nossa capacidade de comunicar, de fazer passar uma mensagem, um sentimento. Enchemo-nos de nós próprios e da nossa suposta adulthood e entregamo-nos ao maior dos erros no processo comunicativo – a interpretação de sinais. No reino animal a interpretação de sinais é algo essencial à sobrevivência e à propagação das espécies. Sinais de pré-agressão, que evitem o próprio confronto, sinais de disponibilidade sexual, de perigo, são ferramentas que substituem a comunicação na sua vertente oral e escrita, dado que simplesmente não existem. Também no ser humano a leitura de sinais é importante, dado que estes nos dão noção sobre o estado de espírito do nosso interlocutor, permitindo-nos adequar o nosso comportamento. Mas é aí que se traça uma linha muito ténue que divide sinais reais enviados pelos outros e todos os outros que inventamos, ao nos dedicarmos a tentar interpretar comportamentos e posturas. A situação complica-se quando as pessoas não se conhecem mas acham que sim (o que é capaz de se passar com a larga maioria dos casos). Ou ainda com aqueles autoproclamados iluminados, que consideram possuir o dom de ler os outros. Não consigo comunicar. Torna-se cada vez mais frequente ver-me punido ou incansavelmente interrogado sobre uma qualquer postura ou comportamento que nem tinha noção de estar a exibir. Conhecer-me-ão as pessoas melhor do que eu próprio? Sabemos bem que as pessoas não dialogam. Aguardam apenas a cessação da comunicação alheia, à espera de iniciarem a sua própria. Na maior parte das discussões a que assisto, ou nas quais eu póprio me vejo envolvido, assiste-se a um diálogo de surdos. Cada pessoa vive na sua realidade e combate os seus moínhos de vento, enquanto o outro riposta na direcção de um alvo também ele pleno de coordenadas mal calculadas ou fictícias. Nos últimos tempos, quando me apercebo estar a contribuir para esta interacção ao estilo de twilight zone, dou por mim a flutuar por cima da mesma e apercebo-me do quão ridícula é. Invariavelmente sou incapaz de inverter a situação e chego a agravar a mesma ao começar a sorrir, ou mesmo a rir. Não consigo comunicar. Falo, mas a mensagem não chega. Sinto que esta passou de ouvido em ouvido, atravessando um daqueles circulos de crianças de 10 anos, até chegar completamente deturpada ao seu destinatário.
Há alturas em que não há paciência para legendar as nossas atitudes, as nossas respostas, as nossas expressões. Há dias em que só há espaço para quem consegue falar o mesmo idioma. Para que possamos desfrutar de momentos em que não sejam precisas explicações adicionais. Nessas alturas não há espaço para desconhecidos ou inseguros. É bom poder estar com alguém que nos compreende, sem legendas.
It's dreamy weather we're on You waved your crooked wand Along an icy pond with a frozen moon A murder of silhouette crows I saw And the tears on my face And the skates on the pond They spell Alice
I disappear in your name But you must wait for me Somewhere across the sea There's a wreck of a ship Your hair is like meadow grass on the tide And the raindrops on my window And the ice in my drink Baby all I can think of is Alice
Arithmetic arithmetock Turn the hands back on the clock How does the ocean rock the boat? How did the razor find my throat? The only strings that hold me here Are tangled up around the pier
And so a secret kiss Brings madness with the bliss And I will think of this When I'm dead in my grave Set me adrift and I'm lost over there And I must be insane To go skating on your name And by tracing it twice I fell through the ice Of Alice
And so a secret kiss Brings madness with the bliss And I will think of this When I'm dead in my grave Set me adrift and I'm lost over there And I must be insane To go skating on your name And by tracing it twice I fell through the ice Of Alice There's only Alice
Einstein tinha razão ao caracterizar a estupidez humana como infinita. Seria quase delicioso, se pudéssemos a assistir de fora, como quem vê um documentário, a alguns momentos da nossa vida em que somos obrigados a conviver com essa característica humana. Mas a triste realidade é que tal não se passa, estamos no meio dessa realidade pantanosa, não a assistir placidamente no canal Odisseia. Saudade da idade em que dizíamos as coisas na cara das pessoas sem qualquer problema de consciência. Malditos filtros sociais que não nos permitem chamar de idiota uma pessoa, simplesmente para que ela perceba que o está a ser; em que podíamos dizer - "Olha, estás a ver aquela parede ali à frente? É ali que te vais espetar se continuas por esse caminho, meu burro!"; ou ainda - "Esse é o caminho certo para me veres cada vez mais longe...". As pessoas estão tão ofuscadas com o seu umbigo que qualquer um destes avisos irá provocar uma reacção de autodefesa que prejudicará ainda mais a situação. Resultado, raramente são os casos e são as pessoas que nos permitem actuar como amigos.
Porque é que as pessoas fecham os olhos durante o acto sexual? Para imaginar outra pessoa? Parte de uma qualquer fantasia? Adoro olhar, adoro uma divisão iluminada nesse momento, sem exageros. Não há nada mais bonito do que a expressão de uma mulher quando está a ter prazer. Poder contemplar essa imagem é parte do meu prazer.