A Toca do Gato

A Toca do Gato

Para ti, que assinavas os teus texto com um gato, e não me deste tempo suficiente para te conhecer...

Sábado, Janeiro 31, 2004

Quando as emoções nos traem

Dividimos os nossos dias entre o trabalho e a nossa vida privada, sem que possa existir sempre uma fronteira bem definida. Durante a nossa vida profissional, há demasiadas situações a mexerem com as nossas emoções, quer seja por nos atingirem pessoalmente ou àqueles que acarinhamos. Não há ninguém imune a isto, por muito que nos esforcemos. O que nos pode distinguir uns dos outros é a forma como reagimos a estas situações negativas, é aqui que se separam as águas entre profissionalismo e amadorismo.
Quando deixamos que as nossas emoções perturbem o nosso desempenho, perdemos como profissionais, nas mais variadas actividades. Naturalmente que não falo naquele dia em que estamos particularmente tristes ou desmotivados e não conseguimos produzir tanto, mas sim de situações em que conscientemente boicotamos o nosso trabalho ou o de terceiros ou, simplesmente, mudamos a nossa atitude para com outras pessoas, como resposta um qualquer acontecimento que nos afectou. E sabem que mais? No fim seremos nós a sair prejudicados!
Tivemos um exemplo ao mais alto nível num passado recente, quando Ferro Rodrigues e outros membros da sua bancada, tiveram todo um conjunto de atitudes inconsequentes, no seguimento da detenção de Paulo Pedroso. Essas declarações bombásticas, inflamadas pelas emoções que dominavam, claramente, o discurso destes deputados, não serviram para mais nada do que para prejudicar o próprio PS que, subitamente, se viu alvo de uma série de críticas por parte da opinião pública. Como este exemplo, mais mediático e do conhecimento geral, existem muitos outros, que nós próprios vivemos ou dos quais fomos alvo.
É uma das condicionantes de sermos seres sencientes e não autómatos. Se, por um lado, é o que permite que tenhamos paixão naquilo em que nos empenhamos e fazer com que o Homem seja, por vezes, brilhante, também é o que pode provocar a nossa queda como profissionais.
Somos seres humanos e, às vezes, é-nos muito complicado lidar com isso...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/31/2004 06:28:00 PM

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004

Meu querido português

É impressionante a quantidade de portugueses que não sabem escrever português correctamente.
Não falo, naturalmente, de linguagem erudita e de questões de estilo, falo sim de ortografia e gramática, da mais pura e simples. São graves as enormidades a que se assistem. Um bom exercício poderá ser um passeio por esta blogosfera fora. Entre posts e comentários, são muitos os exemplos de mau português que poderão observar.
E não se trata de falta de escolaridade. Entre licenciados, doutorandos, doutorados, jornalistas e até professores, muitos são os exemplos que podem contrariar essa teoria. O problema é a má formação de base, é a falta de preocupação em ensinar a língua mãe. E o que é preocupante é que se tornou um ciclo vicioso, uma vez que os próprios professores já vão ensinar não sabendo escrever o português correcto.
Não compreendo como é que se deixa um aluno concluir o ensino secundário, não sabendo escrever correctamente na sua própria língua. Deveria ser um pré-requisito para se poder concluir o ensino secundário, saber-se escrever sem erros crassos.
As nossas crianças já não são encorajadas a ler. Entre jogos de computador e filmes dobrados, os mais jovens vão crescendo já sem hábitos de leitura. Quando chegamos aos adultos e acrescentarmos o facto dos livros estarem taxados a 19%, como produto de luxo, o quadro compõe-se.
Entretanto, as próprias pessoas são preguiçosas. Se têm presente que não sabem escrever, ao menos que utilizem os inúmeros correctores ortográficos dos programas de edição de texto, que já existem, ou ainda os dicionários e prontuários ortográficos. Sempre seria uma forma de aprenderem com os próprios erros e dúvidas. Mas nada disso acontece porque, assim como não o é para os nossos governantes, para os próprios escrever português correctamente não é uma prioridade.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/30/2004 08:26:00 PM

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004

Diz o roto ao nu

O Vaticano acusou hoje a indústria farmacêutica de genocídio em África, por não baixar os preços dos medicamentos contra a SIDA!
Se o assunto não fosse demasiado grave, esta notícia daria uma boa anedota.
Mais de 400 pessoas morrem no Quénia, por dia, devido à SIDA! Números trágicos que tornam bem claro que é necessário intervir. No entanto, não vemos a Sagrada Igreja a defender campanhas de prevenção. Será porque a grande medida de prevenção é o uso do preservativo? Ah, é verdade, usar o preservativo é pecado e a Igreja proíbe-o! Pois...
Então vejamos, a verdadeira forma de prevenir a morte de milhares de pessoas é proibida pelo Vaticano por ser considerada pecado. Mas a indústria farmacêutica, entidade privada cuja obrigação moral é muito menor do que uma instituição que prega o amor pelo próximo, é a verdadeira culpada e acusada de genocídio, por não vender medicamentos mais baratos, que não farão mais do que evitar uma morte demasiado prematura. Serei só eu que não vejo coerência neste discurso?
Os responsáveis pelo Vaticano deveriam ganhar vergonha e iniciarem mudanças de fundo nas suas regras. Já o fizeram tantas vezes por motivos em tudo menos nobres, porque não para salvar milhares de vidas?
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/29/2004 09:22:00 PM
Excepções à regra

Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura!
O povo sábio, quando inventou este ditado popular, de certo que não teve em conta certas cabeças, feitas de um material demasiado duro para que qualquer oratória, por muito suave e persistente que seja, consiga penetrar.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/29/2004 08:43:00 AM

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

Improdutividade - Um alvo a abater

Os responsáveis pela economia do país queixam-se, com frequência, da falta de produtividade dos portugueses. São lançados avisos à navegação - Há que produzir mais! Fala-se em aumentar o número de horas semanais dos portugueses, depois da luta que se travou para o reduzir.
Eu arrisco dizer que se estão a apontar baterias para o problema errado e, definitivamente, aumentar o número de horas de trabalho semanais não resolverá o problema.
Há, de facto, muita gente com propensão para a improdutividade e para fugir ao trabalho, basta olhar para a quantidade de textos e comentários escritos em horário laboral, por esta Blogosfera fora. Mas existem muitos outros exemplos que, simplesmente, não foram estimulados ou, muito pior, foram conduzidos a esse estado de latência por chefias com má capacidade de gestão. Existem muitos exemplos de situações que podem levar uma pessoa à desmotivação e, na larga maioria das vezes, a causa é a chefia (directa ou não) ou a política da própria empresa, ou instituição, onde trabalham. Pessoas trabalhadoras, empenhadas, criativas, que colocavam a sua vida profissional em primeiro plano, são levadas à desmotivação por chefias que as subaproveitam ou, simplesmente, não as deixam crescer com medo que tenham demasiado protagonismo.
Trabalho numa empresa onde já vi ir e vir demasiados bons profissionais; uma empresa onde a esperança média de vida profissional de pessoas de valor é de dois ou três anos, antes de se fartarem e procurarem algo melhor; uma empresa onde se valorizam os carneiros e maus profissionais e se perseguem as pessoas trabalhadoras e empenhadas, apenas por não estarem do lado de quem ambiciona o poder; uma empresa que não aposta em projectos que a valorizem, para não fazer destacar a pessoa errada; enfim, uma empresa que, embora de renome, nunca passará do amadorismo por todo um conjunto de más decisões. Iguais a esta há outras tantas, trata-se apenas de um exemplo vivo.
A verdade é que é necessário apostar na formação de quem dirige e não apenas de quem recebe ordens; é importante promover pela competência e não pelos laços familiares ou de amizade; é importante que as chefias sejam avaliadas pela sua prestação. Já pensaram porque é que os portugueses são dos melhores trabalhadores, nas mais diferentes áreas, quando vão para o estrangeiro?
Caros senhores, procurem identificar o verdadeiro problema, em vez de cometerem mais erros e injustiças sociais.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/28/2004 11:07:00 PM

Terça-feira, Janeiro 27, 2004

É tempo de parar

Para quando o fim a todo este teatro em volta da morte de Miklós Fehér? Que fenómeno é este que estamos a viver há dois dias?
Tal como toda a gente, também eu fiquei chocado com as imagens que visualizei, vezes sem conta, nos três principais canais de televisão portugueses. Reflecti sobre as questões que situações destas sempre suscitam, mas enterrei o assunto. Tinha chegado a hora de deixar a perda de Fehér para quem lhe era realmente próximo. Deixar que as pessoas que lhe eram queridas o chorassem em paz. Mas, pelos vistos, poucos são os que pensam assim, pois o que podemos assistir é toda uma feira em torno da sua morte. Nada há de errado em se prestar homenagem a uma pessoa, mas já ultrapassámos esse ponto.
Será que o facto de termos testemunhado este triste acontecimento serve para justificar todo este aparato?
Eu sou o primeiro a afirmar que esta morte foi um desperdício, que não devia ter acontecido. Mas a verdade é que vivemos rodeados de mortes inúteis, basta ligar um qualquer telejornal, que também teremos acesso a elas.
Tragédia! - gritam os jornalistas aos quatro ventos nas suas reportagens - Tragédia é morrer uma família inteira numa estrada, assassinada por um indivíduo embriagado. E, por vezes, assistimos, quase em directo, ao último suspiro das vítimas.
Desfilam membros do governo, entre ministros e secretários de estado - Tinha a vida toda à sua frente! - exclama-se! E não a tinha também aquela menina de 10 anos, que morreu no seguimento de uma operação às amígdalas? Porque não teve ela direito à presença de um membro do governo? Afinal, morreu num hospital do Serviço Nacional de Saúde!
Porque é que havemos de explorar uma pessoa até na hora da sua morte? Não me digam que as televisões estão, altruisticamente, a prestar homenagem ao homem e ao jogador, com os seus dez directos ao longo de um só serviço noticioso! Trata-se, uma vez mais, de audiências! E assistirmos aos senhores do futebol, que o trataram de uma forma miserável em vida, à frente de mediáticas homenagens é algo desprezível.
Está na hora de se parar com tudo isto. Está na hora de se devolver à família e aos amigos mais próximos, o direito à privacidade.
Que se honre o Homem em vida e que o deixem em paz na sua morte.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/27/2004 10:13:00 PM
Afinal eles existem!

Finalmente, um pouco de civismo nas estradas portuguesas, ainda que seja de origem Espanhola!
Mais um condutor de terceira idade decidiu entrar por uma auto-estrada portuguesa ao início da noite de hoje, tendo sido, neste caso, a A1 a eleita. Dois camionistas espanhóis, ao se aperceberem da situação e do veículo em sentido contrário, tentaram encostar o condutor a um dos lados da auto-estrada, não conseguindo, no entanto, evitar uma pequena colisão. Uma vez imobilizado o veículo os dois camionistas foram certificar-se que o condutor se encontrava bem, tendo sido forçados a retirar-lhe as chaves, uma vez que este pretendia continuar a sua marcha.
O gesto louvável destes homens da estrada impediu que uma grande tragédia pudesse ter tido lugar.
Bem precisamos de bons exemplos nas nossas estradas.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/27/2004 09:41:00 PM

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

Comunicado ao leitor

Quando fiz nascer A Toca do Gato e lhe coloquei as arranhadelas, decidi que não censuraria qualquer comentário que lá fosse deixado, por muito crítico que fosse. E tenciono manter essa decisão, porque de pluralismo de ideias vive o debate saudável e a democracia. Como poderão comprovar, são muitos os comentários que vêm contrapor algumas das ideias por mim expressas nesta Toca.
No entanto há um tipo de comentários que não têm lugar aqui, aqueles em que a linguagem vulgar e insultuosa (não apenas para o redactor, mas para quem quer que a leia) ou, menos graves mas igualmente aborrecidos, os que não pretendem fazer comentário qualquer mas sim publicidade a um qualquer Blog ou página de internet.
O anterior mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, costumava dizer que quando surge o primeiro grafitti numa qualquer parede, este deve ser imediatamente eliminado, porque logo a este se seguirão dezenas de outros, até que a parede esteja toda coberta. Foi recordando esta máxima, que permitiu a Giuliani recuperar Nova Iorque e torná-la numa cidade mais agradável de novo, que tomei a difícil decisão de eliminar os poucos comentários do género que figuravam neste Blog.
Posso correr o risco de me acusarem de censura, mas não gostaria de ver as arranhadelas d'A Toca do Gato transformadas numa cópia, de segunda classe, d'O Meu Pipi.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/26/2004 04:22:00 PM
Estamos vivos

E é com a infeliz morte de um jogador do Sport Lisboa e Benfica que Portugal vive de novo intensamente!
Comentava Daniel Oliveira, no Barnabé, que Portugal vive agora dias sem uma causa. Depois do esmorecer, temporário acredito eu, do processo Casa Pia e da súbita transferência para o, não tão mediático, caso de pedofilia nos Açores, as televisões deixaram de ter casos bombásticos com que alimentar os sensacionalistas serviços noticiosos.
Mas tudo acabou com a notícia, quase em directo (quase uma vez que o jogo era exibido por um canal codificado da televisão por cabo), da infeliz e prematura morte deste jogador profissional de futebol. Rapidamente surgiram os directos do hospital, com a queda do jogador no relvado como imagem de fundo a passar repetidamente, os especialistas de cardiologia e de reanimação ao telefone, respondendo às perguntas inocentes e sem segundas intenções dos jornalistas, sobre se tudo teria sido feito correctamente e com os equipamentos apropriados. Assim se dava início à nova procura de um escândalo. Entre recordações dos golos vitoriosos de Miklós Fehér, lá vão surgindo as insinuações dos jornalistas e as perguntas in loco aos médicos e responsáveis do futebol, sobre se as medidas tomadas teriam sido as adequadas e se os estádios estariam apetrechados com os equipamentos de urgência adequados.
Um jovem futebolista perde a vida, Portugal vive de novo notícias bombásticas e a vida continua, tal como a conhecemos...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/26/2004 01:32:00 AM

Domingo, Janeiro 25, 2004

Em cena todo o ano

Viver em Portugal é como estar num espectáculo de anedotas o ano inteiro, em que a atracção principal é o governo e as instituições da República Portuguesa.
Fátima Felgueiras é agora vítima de uma decisão ilegal. Se analisarmos bem a situação facilmente concluímos que o Tribunal Constitucional tem razão. São raros os Presidentes de Câmara que não são corruptos, porque havemos de destituir uma apenas por ter fugido à justiça para fora do país?
Como é que as pessoas podem acreditar na justiça, se é este o exemplo que as instituições dão? Como é possível sequer debater-se a possibilidade de Fátima Felgueiras poder exercer o mandato, estando fora do país?
Esta autarca enfrenta agora a possibilidade de voltar a perder o mandato por acumulação de faltas injustificadas. Para quando uma nova decisão do mesmo tribunal, considerando a fuga às autoridades como justificação mais do que suficiente para a sua ausência?
É anedótico, mais vale assumirmo-nos como comediantes e começar a vender bilhetes para o espectáculo. Pode ser que seja esta a ferramenta que a Manelinha Ferreira Leite necessita para travar o défice.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/25/2004 08:22:00 PM
X-Men

Já dizia Jerry Seinfeld, num dos seus espectáculos de stand-up comedy, que os homens (e eu acrescento - e algumas mulheres) se consideram verdadeiros super-heróis. Dizia este humorista que o Homem Aranha, o Hulk, o Super-homem, não são fantasias, são opções que essas mesmas pessoas escolhem para si. Esta teoria, que pretendia satirizar o excesso de autoconfiança de algumas pessoas, é perfeitamente aplicável aos condutores portugueses.
Apresentem-me um português que admita que conduz mal e que a sua condução é perigosa. Podem até admitir que conduzem um pouco depressa, que podem ser um pouco distraídos, mas - Nada de preocupante, está sempre tudo sob controlo! Naturalmente que não falo daquelas pessoas, sem qualquer confiança na sua condução, que têm medo, inclusive, de conduzir num parque de estacionamento deserto.
Todo o português é bom condutor! Aliás, as estatísticas e os vídeos, captados pelos carros descaracterizados da Brigada de trânsito da GNR, evidenciam-no muito bem! Esses mesmos condutores de que falo são capazes de, ao verem imagens que retratam perfeitamente o seu próprio comportamento na estrada, censurarem a atitude de terceiros, chegando mesmo a ficar chocados com os acidentes graves, que testemunham nas reportagens. Mas isso muda a sua atitude? Claro que não, porque - Eu conduzo bem!
Para o seu próprio bem e, principalmente, para o bem de terceiros, gostava de deixar aqui algumas dicas a este grupo de super-heróis: o motor de um automóvel, na auto-estrada, não se desliga a velocidades abaixo dos 140 km/h; o carro que vem em sentido contrário não pretende ser desafiado para ver quem se desvia primeiro; os traços contínuos, simples e duplos, não constituem um elemento decorativo das estradas; as curvas e as lombas não devem ser encaradas como um grau de dificuldade mais alto da ultrapassagem que dá mais pontos; e, finalmente, se tiverem um acidente, a frase Game Over - Insert new coin não surgirá num qualquer ecrã, o mais certo é surgir em seu lugar - Life, as you knew it, is now over!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/25/2004 12:51:00 AM

Sábado, Janeiro 24, 2004

Quando a comunicação falha

Vivemos, cada vez mais, num mundo de emissores e não de comunicadores! Quando comunicamos com alguém, pressupõe-se que tanto falemos como ouçamos o que esse alguém tem para dizer. Será que é mesmo isso que fazemos? Quantos de nós não deram consigo, numa qualquer conversa com um outro interlocutor, à espera da sua vez de falar? Sem prestar grande atenção, simplesmente aguardando que chegue a sua vez. Sim, porque o que temos para partilhar é muito mais importante do que o que essa pessoa nos estará a dizer. Só temos a perder com este comportamento. Não aprendemos, não se partilham experiências, não se compreendem as pessoas, não se esclarecem mal entendidos, não se comunica! Naturalmente que não são todas as pessoas que agem assim, nem é em todas as ocasiões que o fazem as outras. Mas são cada vez mais frequentes essas situações.
Será egoísmo?; será presunção?; será a necessidade de superar terceiros ou ainda de sermos aceites? A verdade é que desejamos desesperadamente contar a nossa história! Observo atitudes destas a todos os níveis: em debates políticos, em discussões profissionais, em conversa com amigos, em situações sociais. Eu próprio dei comigo com essa postura e tive que me auto disciplinar para não ter uma atitude, da qual tenho consciência de não ser benéfica. Por vezes pergunto-me se as pessoas vão com esta mesma postura para as conversações de paz entre dois países, envolvidos num qualquer conflito ou disputa. Isso explicaria muita coisa. Acredito que tenhamos perdido a humildade e que necessitamos de a recuperar, por nós próprios ou por uma qualquer lição dura da vida.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/24/2004 11:48:00 PM

Sexta-feira, Janeiro 23, 2004

Bem... se calhar não é assim tão urgente!

Já sabíamos que as urgências estavam cheias de falsas situações emergentes, mas se alguém ainda tinha dúvida hoje teve uma prova disso. Durante o dia de greve de hoje, as urgências do Hospital de São José (que por lei mantiveram os serviços mínimos a funcionar) tiveram uma notória diminuição no fluxo de doentes. Estas pessoas, por pensarem que ninguém lá estaria para as atender, consideraram que o seu caso se calhar não era assim tão urgente!
Se ao menos as pessoas soubessem que as urgências são locais privilegiados para se apanharem doenças raras...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/23/2004 09:45:00 PM
Greve ou mini-férias?

Defendo o direito à greve e concordo com os motivos da convocação da que teve lugar hoje. No entanto não consigo deixar de criticar a decisão dos sindicatos em marcarem a greve para uma sexta-feira. Será que os dirigentes sindicalistas pensavam realmente que as suas intenções passavam despercebidas?
A marcação de uma greve para um dia antes ou depois do fim-de-semana, constitui um maior atractivo à adesão do que se for a meio da semana. E os sindicatos têm isto bem presente! O problema é que atitudes como esta descredibilizam os motivos válidos para esta forma de luta. E se bem que muita gente faz greve por querer mostrar o seu descontentamento, muitos outros aderem com o intento de beneficiarem de um apetecível fim-de-semana prolongado. O protesto continuaria a funcionar se os grevistas se mantivessem, em protesto, perto dos locais de trabalho ou participassem em manifestações. No entanto, poucos são os que o fazem, preferindo aproveitar este dia de descanso extra, ainda por cima com um pretexto muito nobre.
Os próprios sindicatos eram os primeiros, há não muitos anos, a evitarem situações que pudessem descredibilizar estas formas de luta. Hoje em dia pululam as greves associadas ao fim-de-semana, associadas a feriados a um dia do fim-de-semana, funcionando como verdadeiras pontes para mini-férias.
Não basta ser-se honesto, há que parecê-lo também!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/23/2004 09:40:00 PM

Quinta-feira, Janeiro 22, 2004

25 de Abril sempre?

A verdade é que o 25 de Abril não foi assim há tanto tempo!
Ter-se-ão esquecido os portugueses do que é não ter liberdade de expressão? De não se ter liberdade para escolher quem nos governa? Pode-vos parecer um discurso de um ancião, mas a verdade é que eu nem era vivo em 1974, mas nem quero imaginar o que seria a vida assim.
No entanto, parece-me que as pessoas deixaram de dar valor a alguns dos direitos, que nos foram conferidos pelo punhado de bons homens e mulheres que fizeram o 25 de Abril. Senão o que pode justificar os elevados índices de abstenção, verificados nos actos eleitorais ou nos dois mais recentes referendos, a que fomos chamados a responder?
- Não acredito em nenhuma das opções que me está a ser proposta! - Então votem em branco! Mas votem! Um voto em branco significa descontentamento, uma manifestação de protesto contra a realidade que nos é proposta. Uma abstenção é, na maior parte das vezes, interpretada como preguiça, dias de sol que tornam outros destinos mais apetecíveis, dias de chuva que tornam a saída de casa pouco apetecível, entre outras tantas especulações para tentar explicar o vazio das urnas.
Todos se queixam da situação actual, qualquer que seja a actualidade. Coloquem uma câmara de televisão em frente a um grupo, perguntem algo relacionado com uma qualquer acção impopular do governo vigente e eis que a multidão se insurge, contra este ou aquele governante, ou ainda contra todo o executivo. Mas se for feito um seguimento dessas muitas pessoas e aferir quantas delas votaram nas legislativas seguintes, poucas delas aproveitam a oportunidade que lhes é dada de mudar, ou mesmo garantir a manutenção do estado das coisas.
Será que votar não é divertido? Será por isso que as pessoas não são atraídas para as urnas? Será necessária uma forte manobra de marketing? - Hoje, na secção de voto da freguesia de Santa Maria de Belém, João Baião ao vivo! Vote e receba um autógrafo! Vá votar à freguesia dos Prazeres e receba um cupão para um Happy Meal para o seu filho!
Os políticos já debatem o valor ou não de um referendo com uma baixa participação de votantes, já faltou menos para considerarem que não vale a pena o escrutínio.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/22/2004 10:25:00 PM

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

The mob

Muitas pessoas se perguntam, agora que estamos a atravessar um período negro às mãos da governação PSD-PP - Será que esta coligação consegue ser reeleita na próxima legislatura?
É um debate que se vem prolongando em muitos dos Blogs por onde tenho passado os olhos. A larga maioria é da opinião que esta coligação do próximo escrutínio não passa, tendo em conta todas as medidas impopulares que tem vindo a praticar. Confesso que nada me faria mais feliz do que acreditar nessas previsões optimistas, de quem vive no presente e não pára um pouco para ver além do que lhe é mostrado. As pessoas esquecem-se de que quem se encontra no governo são políticos e de que os políticos sabem muito bem movimentar-se no meio em que vivem.
Desde que a política foi ganhando o seu lugar na sociedade do Homem que os que a praticavam viram nas massas a sua maior arma, para conquistar e manter o poder. Já nos tempos da primeira república Romana os demagogos pululavam e utilizavam a populaça para atingirem os seus objectivos. À semelhança dos dias de hoje, também as pessoas na altura demonstravam o seu descontentamento para com as medidas impopulares que eram tomadas mas, mais perto das eleições, surgiam algumas medidas pouco importantes mas muito populares, que provocavam uma amnésia geral levando essa mesma multidão a conduzir à vitória o personagem cujas acções a haviam revoltado. Presentemente nada mudou, simplesmente somos mais e a forma dos políticos se fazerem ouvir é outra, deixaram o Baixo Fórum e passaram para as televisões e imprensa escrita.
É por isto que vos digo que, infelizmente, este governo vai vingar e, quando chegar a altura, vai ser reeleito. Estamos a atravessar a maior parte do período desta governação, característico por uma política de injustiça social e medidas de favorecimento do patronato, entre outras. No último ano, ou no último semestre, da legislatura, vai ser atirada meia dúzia de rebuçados, que vão provocar um síndrome nacional de amnésia fulminante, levando ao esquecimento os restantes três anos a pão e água. E o que é que os portugueses vão fazer? Vão colocar lá as mesmas pessoas das quais passaram três anos a queixarem-se.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/21/2004 10:56:00 PM
E se hoje não houvesse escola?

É em dias como este que dou comigo a desejar que um qualquer fenómeno, natural ou sobrenatural, torne as ruas intransitáveis e, por consequência, impossível a minha deslocação para o trabalho. Seria assim que o Calvin se sentia quando desejava que os nevões obstruíssem as estradas?
Porque raio é que não há nevões no Algarve??!!! Maldita terra do sol e das temperaturas amenas (embora esta última característica seja um mito)! Fora com o aquecimento global, venha daí a nova era glaciar!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/21/2004 08:43:00 AM

Terça-feira, Janeiro 20, 2004

Falta-nos um bocadão assim!

Falta-nos civismo!
Quem nunca proferiu o desabafo - isto só mesmo em Portugal? Por uma razão ou por outra, por um mau serviço, pelos diversos maus serviços públicos, pela sujidade das nossas praias, pela má educação de uma pessoa numa fila de espera. Não é por estarmos em Portugal, é por estarmos rodeados de portugueses!
A verdade é que o povo português não tem a noção de civismo, com algumas excepções que tornam a vida neste país suportável.
O português, como não gosta de sujar o carro, deita beatas e tudo o que é lixo pela janela; o português permite-se ser completamente selvagem e mal educado a conduzir, porque sabe que não vai ter que responder a ninguém pelas suas acções; o português quando está a ser servido, sente que tem o direito de ser mal educado por achar que se encontra numa posição de superioridade; o português, quando não supervisionado, negligencia o seu trabalho; o português não sente necessidade de ser asseado nas casas de banho públicas, porque não é ele que as limpa; o português queixa-se da sujidade das praias, mas é o primeiro a deixar a beata na areia.
Qual é a necessidade?!!! O que custa ser-se civilizado?!!! Não me falem em educação precária, muito do que retratei aqui foi perpetrado por cidadãos das classes mais altas. É falta de civismo mesmo.
Muita desta falta de civismo é criminosa. Como se explica que ainda arda floresta devido a beatas mal apagadas? Como se explica que morram milhares de pessoas nas estradas e ainda se oiçam indivíduos a dizer em entrevistas - "Andar a 140 km/h numa auto-estrada é estar parado”?
Temos excelentes exemplos de civismo no Norte da Europa, não é necessário reinventar a roda. Já existe à vista de todos os que quiserem ver.
Não serve de nada aumentarem as multas de trânsito, apelar à limpeza das praias, ao cuidado com tudo o que é colocado ao serviço da população, enquanto cada português se comportar como um pequeno delinquente. Enquanto nos faltar civismo.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/20/2004 07:44:00 PM

Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

Hubble - Um fim anunciado

Quando lemos notícias destas, dificilmente aceitamos outras como esta.
Mas como as prioridades da administração Bush estão bastante bem definidas, é natural que não haja espaço no orçamento para a ciência.
Um novo significado foi dado à expressão "fazer omoletas sem ovos". George W. anuncia estar interessado em voltar a colocar homens na Lua e, posteriormente, garantir que o primeiro homem a pisar Marte seja americano. No entanto, o financiamento que este atribuiu ao projecto é bem inferior ao necessário.
É compreensível, o importante é que o orçamento Norte Americano esteja preparado para mais missões altruístas como a do Iraque. Não nos podemos esquecer dos restantes países do eixo do mal de Bush...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/19/2004 02:58:00 AM
Sabedoria Papal

O Papa João Paulo II, na sua infinita sabedoria, defendeu, numa carta enviada ao congresso mundial sobre deficiência, em Roma, o direito à vida sexual e amorosa de todos aqueles que não têm capacidades físicas ou mentais, ou que sofrem de perturbações mentais sérias.
Como pensará o nosso sábio e actualizado Papa resolver o problema das crianças que podem resultar dessa comunhão, tendo em conta que os métodos de contracepção são considerados pecado? Abrirá a Igreja uma excepção nestes casos?
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/19/2004 02:39:00 AM

Domingo, Janeiro 18, 2004

Cavalheirismo ou escravidão?

O que é o cavalheirismo senão uma manobra feminina concertada para, sob pretexto das boas maneiras, fazer dos homens criados voluntários das mulheres?
O cavalheirismo devia ter desaparecido com a emancipação das mulheres (com a qual não posso concordar mais).
Porque é que deixamos sempre as mulheres passar à frente, lhes puxamos as cadeiras, abrimos as portas, levamos as cargas pesadas? Não fazemos isso pelos outros homens por muito mais fracos que sejam, a menos que qualquer obrigação social ou profissional assim o obrigue – Isso é muito pesado para ti, Joãozinho, deixa que eu levo-te os sacos das compras – estava-se mesmo a ver...
As mulheres (na sua maioria) passaram a ter o melhor dos mundos: passaram a votar, saíram da cozinha e colocaram lá os homens, continuando, no entanto, a fazer dos homens seus escravos.
Eu por mim, obedecendo não sei muito bem a que regra de boas maneiras, lá vou continuando a fazer o meu papel de parvo, até que o próprio homem se possa emancipar deste truque sujo, formulado pela seita feminina.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/18/2004 08:15:00 PM
Brio profissional

Hoje fui comprar flores a um estabelecimento comercial, inserido numa grande superfície.

Por norma, após escolher as flores que pretendo ver no arranjo (seguindo toda uma panóplia de conselhos da florista), abstenho-me de opinar sobre o arranjo final que, geralmente, sai muito bem.
Hoje tudo mudou! Subitamente, vi toda a minha rotina autista alterada, ao me ver obrigado a corrigir o que a azémola da empregada da loja estava a fazer com o arranjo floral. Por fim acabei por orientar o próprio trabalho desta "profissional".

Profissional? Uma palavra com um significado tão forte e, no entanto, tão banalizada. São poucos os profissionais que nos atendem no dia-a-dia. Não me venham com a justificação de que as pessoas não estão felizes com o seu trabalho. Eu nem sempre faço aquilo que gosto e nem por isso deixo de ser mais profissional.
Nos meus tempos de entregador de pizzas tinha tanto brio como agora, que trabalho relativamente ligado à minha área de formação, Biologia.

Uma pessoa vai a uma livraria, como a Bertrand, e os empregados não têm qualquer competência para a função que desempenham. Duvido que alguns deles tenham, sequer, hábitos de leitura.
Já lá vão os tempos em que o próprio comércio tradicional proporcionava um atendimento competente. As pessoas deixaram, simplesmente, de se preocupar. Os próprios responsáveis das lojas ou empresas, já não se interessam pela qualidade do serviço, apenas o dinheiro interessa. Não sabem ver dois palmos à frente do nariz e perceber a interligação entre os mesmos.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/18/2004 01:20:00 AM

Sábado, Janeiro 17, 2004

Desabafo fora de contexto

Que o velho argentino seja sodomizado por um touro com BSE!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/17/2004 11:35:00 PM

Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

A chusma salva-se assim

A vida profissional faz-me lembrar o naufágio que Fausto Bordalo Dias descreve, no seu disco Crónicas da Terra Ardente. Vale tudo para conseguir, manter ou, simplesmente, garantir que o próximo não consiga um lugar ao sol.

Tratar-se-á daquelas coisas que sempre existiram e que uma pessoa só agora tomou contacto com elas, ou será que é mais uma das coisas boas trazidas pelos ventos da mudança. Acredito que sempre tenha existido um pouco, mas sendo mais as pessoas e menos os empregos, tornou-se mais evidente. E a verdade é que se pode estabelecer um paralelismo, quanto menos valor profissional uma pessoa tem, quanto menos se destaca pela positiva, mais necessidade tem de atingir os seus colegas, do que alguém que dá provas do seu valor.

Se juntarmos a necessidade que existe de favorecimentos, então tudo se torna mais animado. O processo de favorecimento é algo que existe em todo o lado, mas se o favorecido não presta ou se o lugar ambicionado para o favorecido está ocupado por alguém, entra de novo a modalidade desportiva de lixar o próximo. São tantas as formas, desde as mais elaboradas até às mais velhas e baixas, que dava para escrever um livro.

Função pública, empresas privadas ou mesmo laboratórios de investigação, nada se salva. Quem não se lembra da razia que os cargos da função pública levaram com a mudança de governo? Parecia a santa inquisição - Não há muito interesse em convidar esse orador, é de esquerda! É melhor ter cuidado com as pessoas com quem se dá! As suas ideias são demasiado liberais! - foram algumas das frases utilizadas em institutos públicos portugueses, pelos novos responsáveis (lá colocados pelo governo da coligação) no seu processo de perseguição de funcionários que ocupavam cargos preciosos e desejados por colegas do partido governante.

Portugal não produz e continua-se a dar prioridade, não a quem tem valor, mas a quem interessa pessoal ou politicamente. O próprio trabalhador preocupa-se mais em prejudicar terceiros do que em melhorar o seu desempenho.
E ainda me perguntam como é que eu não me farto das férias.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/16/2004 10:33:00 PM
Valores perdidos

O que vale a palavra de um homem ou mulher no tempo em que vivemos?
De facto as coisas mudam, mas não se trata das novas gerações não serem dotadas dos mesmos valores do que as mais velhas. As pessoas acompanham a mudança que o tempo trouxe. Pessoas ditas de palavra, não a honram por motivos dúbios.
Os fins justificarão, de facto, os meios? Deixou o Homem actual de se preocupar com algo que costumava dizer tanto, a sua honra?
Começo a acreditar que vivemos tempos do vale tudo. É triste.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/16/2004 09:15:00 PM

Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

Comunicação ao leitor

Reparará o leitor mais atento que, daqui em diante, os posts serão publicados em horário pós-laboral, exceptuando dois dias da semana. Esta alteração dos hábitos de escrita não se prende com o facto do redactor tentar fazer coincidir a publicação dos seus textos com o horário nobre de leitura de Blogs (horário este discutível uma vez que muita gente os lê no seu local de trabalho), mas sim por o próprio redactor ter terminado o seu doce período de férias e reiniciado a sua actividade laboral, como cidadão produtivo que é (defina-se cidadão produtivo como aquele que, mensalmente, enche os bolsos do ministério da Manuela Ferreira Leite e dos seus esbirros).
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/15/2004 10:10:00 PM
Olha, olha... é um acidente!!!

O coração bate mais depressa, um sorriso aflora no rosto, os olhos esbugalham, um fio de baba começa a escorrer pelo canto da boca... é um acidente!

Hoje, chegando à fatídica EN 125, que já nos garantiu o prestigiante primeiro lugar entre as estradas mais mortíferas da Europa, reparo, com crescente desespero, que o trânsito começa a abrandar, num troço geralmente livre de tal problema.

- Acidente! - pensei eu - Por certo a ocupar ambas as faixas de rodagem, no sentido para o qual me dirijo - tal era a quase inexistente progressão do trânsito. Depois de recorrer a subterfúgios, típicos de quem conhece a zona, para fugir aquele caos rodoviário, tive a oportunidade de descobrir a verdadeira causa de tal confusão. Era, de facto, um acidente, mas no sentido contrário àquele para o qual me dirigia, não ocupando sequer ambas as faixas de rodagem.

Para poderem ver um carro amolgado, vidros partidos, um pouco de sangue e, num dia de sorte, alguém morto ou perto disso, as pessoas abrandam quase até à imobilização as suas viaturas, provocando, muitas vezes, acidentes graves e correndo elas próprias risco de vida.

Para quê? Será que a tão pobre televisão que temos não consegue saciar a sede de sangue desta gente? Podemo-nos queixar à vontade da informação sensacionalista e de fraca qualidade que a televisão portuguesa (em particular os canais privados, entre os quais a TVI se destaca, pela negativa) actualmente exibe, mas a verdade é que tal não vai mudar, se não piorar. É esse tipo de informação que as pessoas querem (com a devida excepção de uma boa percentagem), porque é que se deve matar a galinha dos ovos de ouro?
Mas nada, nada substitui um bom acidente ao vivo!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/15/2004 09:09:00 PM

Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

Mais pobres...

Morreu Dave Goodson.
Para muitos leitores este nome pode não dizer muito, mas se vos falar do sistema de pingers sonoros que, associado às redes de pesca, diminui a incidência de captura acidental de golfinhos por estas mesmas redes, já são mais os que conhecem.
Este sistema de pequenos emissores de ondas sonoras, captadas pelos golfinhos, transformam as silenciosas e perigosas redes de pesca (quem não se lembra da grande polémica entre as redes de pesca do atum e a captura acidental de golfinhos), num obstáculo mais facilmente contornável por estes mamíferos marinhos.
Ficámos mais pobres com o precoce desaparecimento de um grande cientista.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/14/2004 01:27:00 PM
Ovelhas loucas

Depois das vacas e dos frangos, eis que a carne de ovino surge sob suspeita.
Isto cheira-me a uma manobra baixa por parte dos vegetarianos. Cuidado, caros leitores, eles estão a tornar-se perigosos...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/14/2004 01:12:00 PM
Concurso - Tira ela di cima di mim

A Toca do Gato vem lançar aqui o seu primeiro concurso, aberto a todos os visitantes. Inspirando-se nesta notícia, a direcção da Toca decidiu lançar o repto - Quem conseguir arranjar algo (animal, pessoa, desenho animado, boneco) que afaste a Manuela Ferreira Leite e os seus esbirros, ganha uma assinatura vitalícia (dependendo do stock existente) online d'A Toca do Gato.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/14/2004 11:27:00 AM

Terça-feira, Janeiro 13, 2004

Agradavelmente surpreendido

Confesso que este título se parece um pouco com o início de cada assunto a ser comentado por Santana Lopes.
No entanto serve para vir dar a conhecer algo que, não sei se por andar distraído ou afastado dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, me surpreendeu pela positiva das duas últimas vezes que recorri a estes serviços.
No Hospital Amadora Sintra e por volta das 9.30 da manhã, uma funcionária do hospital percorre as várias salas de espera, anunciando que ali perto se encontram leite, chá e bolachas para quem tiver fome. Este serviço, gratuito, vem evitar que aquelas pessoas que, por virem de longe, não terem o hábito de tomar o pequeno almoço ou, simplesmente, por pensarem que a visita ao médico deve ser feita sempre em jejum, passem as, por vezes, muitas horas de espera sem comer.
Tarde ou cedo, é uma boa medida e que deve ser aplaudida.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/13/2004 08:30:00 PM
Penitência nacional

Passei hoje duas horas e meia à espera de uma consulta de pós operatório que durou dois minutos. Começo a acreditar que a espera nos hospitais e centros de saúde do Sistema Nacional de Saúde funciona um pouco como a penitência do cidadão. Será que quem não recorre muito a estes serviços, quando o faz deve esperar mais, ao passo que o frequentador habitual já diluiu a sua penitência em suaves prestações?
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/13/2004 08:29:00 PM
Espírito de rolha

O que se passa com os portugueses e o espaço que ocupam? Porque gosta tanto este povo de viver apertado?
É tiro e queda, basta colocarmo-nos numa fila, das muitas que pululam em tudo o que é serviço público nacional, e zás, deixando apenas espaço para as variações de volume torácico ou abdominal características da respiração pulmonar, logo se coloca um português, ou portuguesa, sequioso de calor humano. Nem vale a pena tentar qualquer manobra de diversão, como o deixar um espaço mais alargado da pessoa da frente para, com a chegada do novo elemento da fila, tentar aumentar a curta distância por este último deixada. Pois, assim que avançamos um centímetro, lá vem o nosso novo apêndice corporal chegar-se também ele um pouco mais à frente. Nem necessitamos de nos voltar, porque a sua respiração é bem audível aos nossos ouvidos.

Não percebo, somos de facto um país pequeno, mas também não somos assim tantos, ainda há espaço para todos. – Se nos juntarmos todos parecemos uma multidão! – parece ser o que motiva tal comportamento.

Quem, no entanto, souber tirar proveito desta característica bem peculiar do nosso povo, tem a vida facilitada. Um bom exemplo desta grande janela que se abre são as praias do Algarve que, à semelhança de todo o pedaço de areia junto ao mar, estão, no Verão, completamente sobrelotadas. Mas esta sobrelotação é aparente, se vencermos a inércia e o susto iniciais e caminharmos um pouco para um ou outro lado, somos capazes de encontrar largas extensões de areal com muito pouca gente (dependendo, naturalmente, do tipo de praia e costa – no caso de falésia surgem enclaves completamente desertos e sossegados). Lá está, as pessoas gostam de viver em grupo e, nem nas suas férias, procuram o sossego da privacidade.

Quem sabe não terão essas pessoas razão, no caso de raptos extraterrestres estão muito mais protegidas do que aqueles de nós que procuram algum isolamento.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/13/2004 12:38:00 PM

Segunda-feira, Janeiro 12, 2004

Nós e os americanos

O que se passa connosco e os Estados Unidos da América (EUA)? Não conheço mais país nenhum com que desenvolvamos uma relação de amor-ódio semelhante à que temos com os EUA. E, acreditem, a culpa não é daquela anedota nacional que dá pelo nome de George W. Bush. Podia lá estar um Bill Clinton celibatário que a história se repetia. Será por estarmos habituados a que este país, ou as coisas por ele desenvolvidas, nos entre pela vida dentro desde pequenos?

Trata-se de uma relação que passa por várias fases, sendo quase possível estabelecer um paralelo com as várias fases por que passa o sentimento dos filhos, ainda que em idades diferentes, para com os pais (longe de mim estar a dizer que nos sentimos filhos do povo americano), senão vejamos: enquanto novos, fascinados com todos os heróis, coca-colas, brinquedos, jogos e filmes que todos os dias nos entram pela vida dentro, desenvolvemos um fascínio e admiração por esse povo e tudo o que ele produz (tal como a adoração que temos aos nossos pais); num próximo passo aprendemos a contestar os americanos e, subitamente, tudo o que tem origem naquele país não presta, rejeitamos os filmes (bons ou não, se for americano e não for antigo ou o Bowling for Columbine, não presta), as coca-colas e MacDonalds, até os nossos heróis de sempre (muito semelhante à rejeição que um adolescente desenvolve para com os seus progenitores); finalmente chega-se a uma fase de amadurecimento que, tal como numa relação parental nem todos atingem, em que aprendemos a raciocinar e a não estereotipar todo um povo por meia dúzia de acções que nos entram pelos telejornais dentro. Não conheço uma única pessoa (incluindo eu próprio) que tenha viajado aos Estados Unidos, estabelecido relações sociais e profissionais com as pessoas de lá e não tenha ficado agradavelmente surpreendido. Em todo o lado há trigo e joio, nem todos os alemães eram Nazis, nem todos os árabes são fanáticos, nem todos os franceses são arrogantes, nem todos os portugueses são racistas, há que aprender a separá-lo e, sobretudo, passada a fase de adolescente rebelde (que não equivale à idade a que estamos habituados na adolescência, é bem mais tardia) há que começar a raciocinar e ver para além do nosso nariz.

E, caros leitores, cada vez que se lembrarem do George W. Bush e da sua administração, fechem os olhos e finjam que estão num mau filme que não pode durar para sempre, eu costumo fazer o mesmo com o Durão Barroso.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/12/2004 05:00:00 PM

Domingo, Janeiro 11, 2004

Liberdade de imprensa??!!!

Desde que se iniciou a guerra de audiências entre os canais televisivos que a qualidade do jornalismo por estas apresentado tem vindo a diminuir. No entanto, nada se compara ao que recorrentemente temos vindo a observar com o processo Casa Pia. Lançam-se boatos, subornam-se testemunhas e funcionários da justiça, suja-se o nome de pessoas e do próprio país. Porque, meus caros, quando o nome do Presidente da República Portuguesa e de um Comissário Europeu Português aparecem no meio do processo, por cartas anónimas ou não, é o nome de Portugal que fica manchado, não se iludam.

Qual é a fronteira entre liberdade de imprensa e o hooliganismo jornalístico, cujo único propósito é conseguir um pouco mais de share televisivo ou a venda de mais umas centenas de jornais?
- O público tem o direito de saber! - E que tal perguntar ao público se, de facto, está interessado no tipo de informação que está a receber?

Até onde a já tão debilitada justiça portuguesa vai permitir que cheguem estes órgãos de comunicação social? Qual é o limite? Se eu adquirir um objecto roubado e tiver consciência da sua proveniência, sou punido independentemente da minha participação no roubo. Porque é que, sendo a quebra do segredo de justiça um crime, quem dele beneficia não é igualmente punido? Não se trata de algo obtido ilegalmente?
É grave a conivência do governo português em todo este processo. Não há uma forte tomada de posição. Faltará a coragem politica ou a vontade de o fazer?

Em todo o caso gostava de deixar aqui uma pequena ideia que, ainda não sendo nova, pode ser que sirva de inspiração aos senhores da imprensa - A nossa liberdade termina quando começa a liberdade do próximo.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/11/2004 02:49:00 AM

Sábado, Janeiro 10, 2004

Com os olhos postos no céu

Uma das coisas que nos recorda recorrentemente o quão primitivo o Homem ainda é, é a religião!
Haverá coisa mais comprovativa da nossa estupidez como espécie? Se repararem bem o Homem faz tudo por religião. Mata, dá vida, jejua, condiciona a sua alimentação, condena, morre, empobrece, celibata. E porquê? Por algo que está na sua imaginação. Não me entendam mal, eu próprio, não me perguntem porquê, talvez devido a uma educação cristã, dou comigo, em alturas de maior aperto, a pedir ajuda a um qualquer ente superior, do qual não tenho prova alguma da sua existência, mas just in case...

Haverá alguma coisa mais primitiva do que a guerra pela religião? Matar e morrer porque se discorda de a quem se deve adorar. - Não, não! O teu Deus não é verdadeiro, o meu é que é. Mereces morrer infiel! E darei a minha vida para lutar contra todos os infiéis iguais a ti, que adoram o Deus errado!

E depois, tal como em tudo na vida, os mais simples são enganados pelos mais espertos, é a lei do mais forte. Tomemos o exemplo da Igreja Católica (pela qual, sem ter sido consultado, fui baptizado). Durante séculos o Homem foi enganado descaradamente pela Igreja Católica. Matou, morreu, ficou na miséria, foi perseguido e porquê? Devido ao fanatismo, à ganância e à pequenez de alguns homens. E pensam que tal mudou? Nem pensem nisso. Sendo esta Igreja maioritariamente ocidental (onde se situam alguns dos países mais desenvolvidos) passou apenas a ser mais discreta e mais cuidadosa. Mas o sinal da pequenez está lá - Não usem o preservativo porque é pecado! - Não interessa que milhares morram de SIDA por este mundo fora, o que interessa é manter uma mentalidade retrógrada. E os seguidores... bem, os seguidores lá vão, de uma maneira ou de outra, dando ouvidos a quem fala "em nome de Deus"!

O Homem não consegue enfrentar aquilo que não consegue explicar, por isso atribui certas coisas a uma qualquer origem divina. Há alguns anos, tudo o que é catástrofe era castigo de Deus. Entretanto, fenómenos como os terramotos foram desmistificados por teorias como a da tectónica das placas. Assim, podem morrer dezenas de milhar de pessoas em poucos minutos, mas já existe uma explicação para isso. A Igreja vem perdendo terreno, cada vez mais os fenómenos são explicados pela ciência. No entanto lá vão os padres dizendo - Foi a natureza, mas pela mão de Deus! Pois... já não pega!
Mas como ainda há muita coisa que a ciência não consegue explicar, a Igreja lá vai persistindo. De uma forma ou de outra, não creio que alguma vez chegue a desaparecer. O Homem não consegue conceber a ideia de uma vida sem algum responsável pelo que acontece à sua vida.

Eu cada vez tenho menos ilusões, se alguma vez me passa pela cabeça que possa existir algo que controle a nossa vida, basta-me ligar um qualquer telejornal e ficar com uma certeza - O Homem e só o Homem é responsável pela sua sorte!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/10/2004 12:44:00 PM

Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

Os PCs e as PDCs

Era eu miúdo pequeno e, seguindo a tradição dos Sábados de manhã, a minha mãe lia-nos as crónicas do Miguel Esteves Cardoso (MEC) n'O Independente. MEC, então director deste semanário com o nosso Paulinho das Feiras como adjunto, escrevia com muita qualidade e humor, para um O Independente com bastante mais qualidade do que a actual.

MEC referia-se na altura à PDC (Puta Da Criancinha), cada vez mais mal educada e aos PC (Pais Coitados) que sofriam com as atitudes da mesma.
Gostaria, no entanto, de corrigir o que a sigla para mim significa. Não creio que sejam os Pais Coitados, mas sim os Pais Culpados. As crianças e jovens adolescentes estão cada vez mais mal educados, com a conivência ou despreocupação dos pais.

Eu sou o primeiro a afirmar que professor algum tocará com um dedo num filho meu, no entanto, terei que ser eu o primeiro a garantir que ele não faça nada para o merecer. Não falo de medo, não falo de pressão psicológica, falo sim de acompanhamento. Mas um acompanhamento responsável, não apenas ser o companheiro de brincadeiras.
As crianças passam muito tempo nas escolas. Os professores deviam poder contribuir em muito para a sua educação, mas não o fazem. E a verdade é que não podem. Os alunos sabem perfeitamente que os professores não têm qualquer poder sobre eles, mas aqui é que os pais falham. Eu, enquanto aluno, tinha a perfeita noção de que professor algum me poderia bater. A minha mãe jamais toleraria tal. Mas, no entanto, respeitava-os. Tal como respeitava qualquer adulto que fosse digno de tal. As pessoas gozam comigo quando digo que nunca fui expulso de uma sala de aula, o vulgo "ir para a rua". Não deixei de me divertir por isso, até mereci chamadas de atenção, mas isso bastava-me, porque respeitava quem estava do outro lado. E esse respeito foi-me incutido por quem tinha em casa. A minha mãe e o meu pai (enquanto viveu) deram-me uma boa educação. Tentarei ao máximo fazer o mesmo pelos meus filhos.

Não tenho filhos ainda, e longe de mim dizer que é fácil educá-los. Digo-vos mais, não há nada que me assuste mais do que falhar na educação dos meus filhos. No entanto há erros crassos, que as próprias pessoas que eu observo a cometê-los, anos antes, os reconheceriam à légua. Será que deixam de ver? De se abstrair e perceber o mal que estão a fazer numa altura tão delicada? Só espero não morder a língua daqui a uns tempos...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/09/2004 06:09:00 PM
Boas notícias são...

- Encontrar dinheiro no bolso das calças;
- Descobrir que a hora mudou e que ainda temos uma hora para dormir;
- Ganhar o Totoloto, ainda que apenas o 5º prémio; ou, como acabou de me acontecer agora,
- Descobrir que ainda temos mais um dia de férias do que estávamos à espera!!! Yupiiiiiiiiiiii!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/09/2004 05:34:00 PM

Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

Cuidado com os vossos desejos

Seguindo aquela tradição da passagem de ano, por cada uma das doze passas que a custo meti na boca, formulei um desejo.
Quem, no calor da festa, alguma vez considera que os desejos devem ser bem formulados? Com todas as palavrinhas não vá a fada-dos-desejos-de-ano-novo (convém que haja alguém responsável por este processo, pelo que acredito que este seja o seu nome) confundir as coisas ou, pior ainda, atalhar, simplificar.
A questão surgiu com um dos meus desejos e, soube entretanto, um dos da minha parceira de vida também. Ambos desejámos, com muita originalidade, ganhar o Totoloto. E a verdade é que ganhámos!!! É aqui que reside o cerne da questão, o que é de facto ganhar o Totoloto? O primeiro prémio, ou será que o quinto também conta?
Nenhum de nós desejou ganhar o primeiro prémio, desejámos apenas ganhar o Totoloto! E agora? Deveremos ainda ter alguma esperança, ou será que a fada-dos-desejos-de-ano-novo tem um humor retorcido?
Bom, pelo sim pelo não, nós continuaremos a jogar. E, quanto a vocês... sejam específicos nos vossos desejos, nunca se sabe quem está a tomar nota deles...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/08/2004 11:10:00 PM
Black Hawk Down

Um helicóptero Black Hawk, do exército norte americano, despenhou-se hoje no Iraque, durante uma missão de evacuação de feridos.
Deveria ter dito, mais um helicóptero Black Hawk, uma vez que se trata do terceiro, só nesta região do Iraque.
Serei só eu, ou este modelo de helicópteros tem uma tendência para o desastre? Recordem-se da intervenção dos Estados Unidos na Somália, que deu origem ao livro e, posteriormente, ao filme.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/08/2004 10:14:00 PM
Viver com a cabeça enfiada na areia

O que se passa com os fumadores em geral? Será que o tabaco provoca a diminuição da capacidade de raciocinar? Durante anos foram avisados dos sérios malefícios do tabaco, mas decidiram ignorar (muitos deles chegando a mostrar-se supreendidos ao desenvolverem cancros e exigindo chorudas quantias às tabaqueiras). Presentemente surgem, nos maços de tabaco, que todos os dias compram, frases com os mais variados perigos de fumar, para os próprios e para terceiros; e o que é que estas inteligentes pessoas optam por fazer? Decidem deixar de fumar? Não, nada disso, compram bolsinhas, porque têm vergonha do que lá vem escrito. O que é que há de complicado na expressão "FUMAR MATA"??? Acreditem nestas palavras, meus caros, porque é verdade! Não é um susto daqueles que os pais gostam de pregar aos filhos! Trata-se de cancro dos pulmões, de cancro da laringe! Mais triste vai ser quando chegarem os maços com as imagens chocantes de malformações de fetos, de doentes de cancro, todo este mundo se vai indignar com o exagero da campanha. Preferem morrer ignorantes do que mudar a atitude. A ironia disto tudo é que as mesmas pessoas que ignoram os avisos e escondem as mensagens dos maços, são das primeiras a deixar de comer carne de vaca e frango, por causa das vacas loucas e nitrofuranos.

Muitos são os que dizem, na sua infinita sabedoria - o corpo é meu, eu faço o que quiser com ele. Se assim fosse, tudo bem, mas, por favor, apontem-me o primeiro fumador civilizado que eu darei vivas! O primeiro que nunca acendeu um cigarro sem antes perguntar aos presentes se se importavam e, naturalmente, não falo naquelas situações em que, por algum tipo de pressão social ou profissional, os não fumadores têm que dizer - Não tem qualquer problema! Eu poupo-vos a energia, não há um único! Mesmo as pessoas que eu conheço e tenho como educadas, não o fazem. Já para nem falar nos outros que mal saem do cinema, ainda no túnel de saída, já estão a acender o cigarro ou, ainda mais grave, fumam dentro dos carros com crianças atrás e a janela aberta o suficiente apenas para deitarem a cinza lá fora (toda a gente sabe que não há cinzeiros nos carros), porque se se abre mais entra o frio. Muitos são aqueles que morrem devido a inalação passiva do fumo.
Há muitas coisas que matam no mundo, de alguma coisa havemos de morrer um dia, podemos, no entanto, evitar as que já sabemos que o fazem.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/08/2004 01:06:00 AM

Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

Estará tudo a dormir?

Os portugueses são xenófobos, mas a sua xenofobia é muito selectiva. O português está habituado a olhar de lado os imigrantes dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e dos países da Europa de Leste, sem qualquer problema em discriminá-los e a catalogá-los como ladrões, vândalos e outros mimos similares. Vem ainda o PP animar estes sentimentos, dizendo que a entrada destes imigrantes no país tem que ser controlada, sob pena do desemprego aumentar ainda mais. Quem é que acredita nisto? Será que ninguém vê que os empregos que estas pessoas obtêm, são aqueles em que ninguém quer pegar? O mesmo aconteceu com os emigrantes portugueses que foram para França, Suíça e Alemanha, fazer o que se recusavam a fazer cá.

Por outro lado assiste-se a uma invasão, cada vez mais notória, mas com muita vaselina. Sim, refiro-me aos ingleses no Algarve. Se todos os outros imigrantes (sim, porque lá por terem dinheiro estes não deixam de ser imigrantes) se esforçam por aprender a língua nativa, os ingleses criam as suas pequenas comunidades, em que ninguém fala nem sequer pensa em alguma vez vir a falar português. E o que fazemos nós? Dobramo-nos em vénias e falamos o inglês porque, coitadinhos, é tão difícil para eles. Escolas, rádios, bares e agências em que não se fala uma palavra de português. Estamos a ser colonizados e gostamos.

Esta sim é uma invasão com consequências negativas para Portugal e para os portugueses. Porque é que acham que a vida é tão inflacionada no Algarve? Não é porque os portugueses a possam pagar, mas porque os ingleses (é verdade que também há alemães, holandeses e outros povos, mas os ingleses marcam pelo número), por muito de classe média que sejam, têm mais dinheiro. Experimentem ver preços de habitações (e não digo em Albufeira, experimentem mesmo em zonas pouco turísticas) e comparar com outras zonas do país.
Acordem, meninos e meninas, antes que o Algarve se transforme numa segunda Gibraltar.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/07/2004 08:12:00 PM
Falta de imaginação

Quando alguém, acabadinho de regressar de férias, me diz, no seu primeiro dia de trabalho - Já não sabia o que fazer em casa, estava mortinha por vir para cá! - eu respiro fundo e tento não desmaiar.
Eu não sou contra o trabalho, muito pelo contrário. Mas a verdade é que o emprego rouba-nos a maior parte da nossa vida. Há tanta coisa que é posta de parte por causa do emprego.
O argumento mais utilizado é - Estava toda a gente de férias! O que iria eu fazer?
É nessa altura que me calo. Será que essas pessoas só sabem divertir-se em matilha? Experimentem ler, escrever, passear, repousar.
A maior parte das pessoas prefere ir trabalhar para poder estar com os colegas de trabalho, a ter alguns momentos para si e dedicar-se a algumas das muitas coisas para as quais não têm tempo durante o resto do ano. Digo eu que as têm, se calhar ficam perdidas sem o grupo. O pânico de estarem sozinhos.
Eu, vendo as minhas férias a uma semana de acabar, lembro, com saudade, o dia em que começaram...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/07/2004 06:13:00 PM
E ao sétimo dia...

... Deus inventou as pastelarias com bolos feitos na hora!
Aaahhh! Pequenos grandes prazeres da vida!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/07/2004 05:47:00 PM
Pedimos desculpa pelo incómodo, mas tentaremos ser breves!

"Já agora, esta estrada vai ficar cortada durante 4 meses e os moradores vão ter que gramar com escavadoras e martelos pneumáticos 24 horas por dia!"
Este é o resto da frase que deveria ser escrito nos simpáticos cartazes que as autarquias e os responsáveis pelas obras em zonas urbanas colocam, para tentar amenizar a fúria dos cidadãos.
Por vezes, mais de um ano depois, lá estão as palavras, já descoradas e com falta de letras - (...)tentaremos ser breves!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/07/2004 03:50:00 PM

Terça-feira, Janeiro 06, 2004

Que susto

O governo de Durão Barroso, sempre atento às tradições do nosso país, interveio no sentido de salvar a função pública, assim como a conhecemos.
Correram boatos afirmando que, com a entrada de sangue novo nas repartições públicas, em resultado da aposentação dos funcionários antes dos 60 anos, iríamos perder o típico funcionário público, mal disposto, burocrático e lento. Bagão Félix, sempre atento e defensor das tradições, apresentou uma proposta de lei, que vem corrigir esse erro que iria perigar a continuação do serviço público, tal como o conhecemos.
Bravo Bagão, não conseguiria passar sem um funcionário mal disposto e farto de trabalhar sempre que me dirigisse às céleres repartições públicas.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/06/2004 08:30:00 PM
O Norte do país mais uma vez em grande

Depois das sopinhas de cavalo cansado e da colherzinha de água ardente para a criança dormir mais aconchegadinha, em Trás-Os-Montes existe uma festa, no dia de Reis, em que as crianças são autorizadas a fumar. Não um ou dois cigarros, mas maços inteiros.
Por um lado coloca-se "FUMAR MATA" nos maços de tabaco, por outro perpetuamos festas em que as crianças se iniciam na prática. Aaahhh, santa inteligência!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/06/2004 02:03:00 PM
Manobra de marketing da PSP

Sempre que, nas notícias, ouvia o nome Brigada de Minas e Armadilhas da PSP - Polícia de Segurança Pública, não conseguia tirar da cabeça o Júlio César, apresentador da antiga rubrica da SIC com o mesmo nome. Confesso que, olhando para aqueles profissionais, lhes dava tanto crédito como dou aos políticos brasileiros (não consigo explicar este último sentimento, não os consigo distanciar das novelas). Acredito que os elementos deste departamento da PSP também não se sentissem muito orgulhosos com o próprio nome.
Numa típica noite de engate:
(fêmea alvo) - Então o que fazes tu?
(engatatão da PSP) - Sou agente da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP!
(fêmea alvo) - Ah, és daqueles gajos dos apanhados!
Mas foi com júbilo que percebi que esse nome foi alterado. Por ocasião de uma notícia em que este departamento procurava desactivar mais um saco de plástico abandonado, desta vez junto à embaixada de Israel em Lisboa, a jornalista referiu-se à Brigada de Inactivação de Engenhos Explosivos da PSP.
Convenhamos que se trata de um nome muito mais cool!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/06/2004 01:55:00 PM
Ah! Bons velhos tempos!

Há uma coisa que os governos PSD (neste caso de coligação com o pequenino PP) trazem de bom ao país, mostram o espírito contestatário existente na população, por vezes tão adormecido.
Para além de mais recentemente e nesta legislatura, quando foi a última vez que se falou de uma greve geral de trabalhadores? E qual outro governo nos garante pelo menos uma greve, de um qualquer sindicato, todas as semanas? É obra! E tal proeza só foi equiparada por Cavaco Silva. Mas tem cuidado Cavaquinho, a Manelinha está atrás do teu record...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/06/2004 12:27:00 PM
Os tempos mudam, as religiões também!

Deus, sob forma do seu filho, irmão, cunhado, mulher, seja de quem for, já não vai voltar à Terra. Mesmo que por cá apareça, nós não vamos dar por ele e o mais certo é que volte a passar um mau bocado. Ora vejamos, se não estou enganado na imagem que a Bíblia Sagrada passa de Jesus Cristo, este não era muito de fazer milagres, muito menos para provar que podia.

Ora, caso surgisse um qualquer profeta advogando ser filho (ou com qualquer outro grau de parentesco) de Deus, o primeiro passo seria colocá-lo na instituição psiquiátrica mais próxima. Se se tratasse de uma localidade não urbana e alguns locais pudessem testemunhar um ou outro milagre, gerava-se mais um daqueles casos em que se pensa que os mesmos andaram a comer demasiados cogumelos que crescem naqueles campos (qual estátua de CERA que chora lágrimas de CERA - haverá aqui um denominador comum?). Tendo em conta a burocracia da Igreja, muito provavelmente o enviado de Deus teria que dar provas de que, de facto, fazia milagres, o que nos leva à questão inicial - Cristo não era muito de fazer milagres para provar que era ele. E mesmo que abrisse uma excepção, o mais certo era ficar-se pela canonização post-mortem ou, em última análise, a santificação (dependendo muito da agenda do Vaticano e do número de candidatos desse ano em particular).

Já para nem falar que todos aqueles cardeais agarrados à política e ao poder dificilmente aceitariam uma pessoa humilde a chamá-los de burros e a fazê-los comer os preservativos que proibem às pessoas, que até considerariam proteger-se de doenças como a SIDA.

A verdade é que a própria Bíblia Sagrada jamais terá um segundo volume. Se tivermos em conta estórias como as de Sodoma e Gomorra e olharmos para o nosso presente, fértil em catástrofes, pragas e fome, podemos reparar que já não se fazem as mesmas interpretações dos elementos. Dezenas de milhar de mortos em resultado de um terramoto num país que usa a religião como forma de opressão, não haveria aqui material para umas linhas do antigo testamento? Já não se fazem escritores como antigamente.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/06/2004 01:42:00 AM

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Finalmente completo

À semelhança de tantas outras coisas em Portugal (basta ver os estádios do Euro 2004), também A Toca do Gato começou a meio gás. Agora com Arranhadelas e com um contador de visitantes (ambas graças à fundamental ajuda de Loretta), A Toca do Gato funciona a 100%.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/05/2004 10:34:00 PM
A província será sempre a província...

Quer queiramos quer não, fora de Lisboa e Porto a cultura deixa de ser uma prioridade, quer seja para as autarquias quer seja para o comércio. Uma das coisas de que mais falta sinto, desde que migrei de Lisboa para Faro, é da minha amada FNAC. Literatura, cinema e música existem, mas só se for comercial. Estamos entregues às Margaridas Rebelo Pinto, às Susannas Tammaro e afins. O Fórum Algarve (que trouxe mais 9 salas de cinema a esta cidade e pelas quais estou eternamente grato), orgulha-se de anunciar que todas as semanas tem um Filme Alternativo; pretexto para poder exibir filmes como o In America, mas só por uma semana, não vão as pessoas começar a gostar desse tipo de filmes! É certo que há um cineclube, mas a verdade é que eu quero ter a oportunidade de ver filmes de qualidade, sem ter um qualquer auto-intitulado esperto em cinema a dar-me a sua opinião sobre o filme, antes mesmo que tenha a oportunidade de o ver!
Apenas como a cereja no topo do bolo (não que eu aprecie tal toque, mas funciona bem como figura de estilo) e para dar um ar caricato à situação, andava eu perdido no meio de Faro quando dou com duas galinhas, singelamente à procura de comida num qualquer relvado, ao lado de uma avenida.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/05/2004 08:22:00 PM
Olha lá, não estará na altura de...

Ao longo da nossa vida familiar, social e profissional, deparamo-nos com muita gente com parafusos a menos, chegando mesmo nós a perder alguns pelo caminho. Nada de estranho neste processo, faz parte da natureza humana.
Mas de tempos a tempos encontramos aquelas pessoas cuja perturbação mental, ainda que não chegue a necessitar de internamento (digo eu, um leigo), já lá não vai com conselhos e, definitivamente, deixou de ser passível do comentário - Deixa lá, ela é mesmo assim! Chegou a altura de recorrer à ajuda profissional, à de um Psicólogo!
Mas eis que nos deparamos com um grande dilema, como dar a entender a essa pessoa que necessita de ajuda profissional? Ninguém na sua perfeita falta de juízo vai considerar que necessita de um Psicólogo e à mínima sugestão da ideia, essa pessoa irá voltar-se contra nós - Ah! Estás a querer dizer que preciso de ir a um Psicólogo?!! - e aquele gesto de ajuda para com a pessoa da família ou amiga transformou-se, automaticamente, num insulto!
Eu voto numa aproximação diferente - Ele há cada maluco no mundo! Olha, tu por exemplo, não achas que está na altura de ires a um Psicólogo?!!
Neste momento cada pessoa que me conhece e está a ler este post pensa - Será que ele me está a mandar alguma indirecta? - Isso só prova que eu só me dou, a título familiar, pessoal e profissional, com a nata da psicose deste Portugal!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/05/2004 08:19:00 PM

Domingo, Janeiro 04, 2004

Sábias palavras

"Só duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana; e não estou certo quanto ao universo." - Albert Einstein.
Creio ser, o ter consciência deste facto, algo que me atormenta e atormentará o espírito ao longo da minha existência.
Se já o grande Einstein o dizia, quem sou eu para o contradizer?...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/04/2004 10:50:00 PM
Primeiro miado

Ainda aos bochechos, surge mais um Blog nesta Blogosfera cada vez mais povoada.
Os meus posts, espero que muitos daqui em diante, expressarão opiniões sobre assuntos - actuais ou nem por isso; sobre experiências de vida - que poderão revelar-se muito estranhas ou bastante familiares ao leitor; ou, simplesmente, devaneios de uma mente em permanente fervilhar. De qualquer modo, serão sempre, os leitores, convidados a expressar a sua opinião, por email até que eu consiga colocar as arranhadelas a funcionar ou, mais tarde, directamente no blog.
Brindo a um 2004 de interessantes posts!
- Arranhado por Gato Gaspar @ 1/04/2004 09:27:00 PM
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