A Toca do Gato
A Toca do Gato
Para ti, que assinavas os teus texto com um gato, e não me deste tempo suficiente para te conhecer...
Terça-feira, Março 30, 2004
Onde fizer mais mossa
O governo de coligação já demonstrou conseguir coabitar em paz com um povo em permanente contestação, com manifestações de descontentamento ou greves recorrentes. Quem assistir à postura indiferente e minimizadora do governo, pode acreditar que toda esta contestação popular lhe dá alento, que significa para o executivo que está a ir no caminho certo.
De uma forma ou de outra, a verdade é que os protestos dos portugueses têm caído em saco roto. Parece que este governo se esqueceu que foi eleito e que o mesmo povo que lá o colocou o pode derrubar.
Mas como não faz parte do espírito português desistir, há que fazer o governo perceber que este não é o caminho a seguir. E é por isso que concordo plenamente com a greve de uma semana do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) anunciada para o período da realização do Euro 2004. E que a seguir a esta, surjam outras tantas, para que o governo ganhe vergonha de uma vez por todas.
Lá veio o Sr. Ministro Arnaut criticar a utilização do Euro 2004 como forma de contestação.
-
Xiiiu! Vá lá, vamos fingir que tudo está bem no nosso país, enquanto a imprensa estrangeira nos tiver debaixo de olho. Só mais esta vez.
Não cola essa, Sr. Ministro. Nem vale a pena tentar virar os portugueses contra quem exige apenas o que lhes é devido - horas extraordinárias que não foram remuneradas. Ganhe mas é vergonha e comece a respeitar quem trabalha.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/30/2004 11:10:00 PM
Em defesa do consumidor defraudado
Estando eu a pagar por um governo que não elegi; um governo que vai na direcção oposta à das minhas convicções; um governo que teima em não cumprir as promessas eleitorais que fez enquanto partido candidato; um governo formado por uma coligação que não avisou que ia formar ao se candidatar; um governo que segue políticas contrárias aos desejos da larga maioria dos portugueses; um governo que faz alianças que colocam em perigo os portugueses, quer o tenham eleito ou não.
Em suma, um governo que defrauda as minhas e as expectativas da maioria dos portugueses - basta olhar para as sondagens.
Será que se colocar este caso à DECO, tenho hipóteses de vencer?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/30/2004 07:42:00 AM
Segunda-feira, Março 29, 2004
Um direito roubado
Há dois dias entrevistei seis candidatos (a acrescentar aos dois que já havia entrevistado em dias anteriores) a uma posição na empresa onde trabalho e numa área onde o desemprego cresce a olhos vivos - o ensino.
De repente vejo-me com o poder de mudar completamente a vida de uma pessoa. E dei comigo a desejar poder fazê-lo por cada um deles, independentemente de serem os melhores ou piores candidatos. A minha vontade era de lhes conceder o direito imediato a uma vida de trabalho. A vida de trabalho que almejam para si e que a situação actual em que se vive neste país e a sucessão de medidas desastrosas implementadas por um mau governo, teimam em não possibilitar.
Ao menos é-me concedido esse poder e não o fardo de ter que mandar alguém para o desemprego. Sempre será menos uma pessoa a viver essa angústia.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/29/2004 01:06:00 AM
Domingo, Março 28, 2004
Alguém vai começar a viver melhor...
A partir da meia-noite de hoje, quem for apanhado, na Irlanda, a fumar num lugar de trabalho fechado, seja ele um escritório, loja, restaurante ou mesmo um típico
pub, vai ter que pagar uma multa de três mil euros.
Regra geral não sou a favor de proibições, mas a verdade é que não conheço um único fumador completamente civilizado e é também verdade que tenho o direito de não respirar o fumo cancerígeno, que outros escolhem expelir à minha volta.
A Irlanda, que assim se torna o primeiro país da Europa a aplicar tão rígida lei, optou por esta medida por se ter tornado num dos países com maior taxa de cancros associados ao tabaco, neste continente.
Louve-se a coragem do governo em implementar esta lei. Só desejo que consiga vê-la cumprida.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/28/2004 11:30:00 PM
Como deve ser bom
Como deve saber bem viver-se a política sem a preocupação de se ser político.
Eu, por vezes, tenho vontade de abrir a boca e deixar falar o espírito, sem me preocupar com quem esteja a escutar as minhas palavras, sem me preocupar com qualquer consequência. Creio que todos nós, numa qualquer altura da nossa vida, tivemos vontade de o fazer.
Ainda que de uma forma relativamente comedida, acredito que seja essa a postura que assumiu Mário Soares nos últimos tempos. Um político que conhece bem o meio em que se mexe, mas cuja ausência de ambições nesse mesmo mundo lhe permite falar sem rodeios. Se virmos bem Mário Soares já fez o seu grande percurso político e, contrariamente ao que muitos afirmam, já não se preocupa se o seu comportamento o possa afastar de um qualquer cargo de poder.
Mas como, desta forma, se tornou num incómodo para o governo de coligação e ambos os partidos políticos que o compõem, os seus responsáveis apressam-se a tentar descredibilizá-lo tentando transformá-lo, aos olhos do público, num velho gagá.
Se fosse de facto um velho gagá teria tanta gente a dar-lhe ouvidos? Incomodaria tanto os senhores de direita se, de facto, não estivesse na posse de todas as suas faculdades? Ou será que é exactamente por tocar na ferida, por saber daquilo que fala, por evidenciar o jogo político duvidoso de direita, que causa tanto incómodo, tanto alarido?
A verdade, meus caros, é que se a direita não lhe desse importância, não se sentiria atacada pelas suas palavras.
Como deve ser bom falar sem preocupações, com a certeza de quem sabe do que fala e sem se preocupar com as consequências políticas.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/28/2004 06:56:00 PM
Sábado, Março 27, 2004
Como se atrevem?
Depois da posição polémica de Luís Villas Boas - director do
Refúgio Aboim Ascenção - no campo da adopção de crianças por homossexuais, tem-se vindo a assistir ao ataque gratuito à sua imagem e a tudo o que esta representa.
A última polémica, que envolve desta vez as políticas do próprio refúgio, é escandalosa. Acusa-se esta instituição de não aceitar crianças portadoras de HIV ou com deficiência.
Tornou-se um escândalo, fomentado pela comunicação social - uma instituição que ajuda crianças faz discriminação. De repente, todas as pessoas que vivem confortáveis no seu mundo se insurgem contra aqueles que se dedicam a ajudar, por não ajudarem todos.
Portanto, criticamos uma instituição privada, que faz o trabalho que compete ao estado e do qual este se descarta; que acolhe crianças com carências afectivas, de difícil trato; crianças que sofreram, muitas vezes, abusos e agressões por parte dos pais; as crianças que ninguém quer, por não aceitar também as que sejam portadoras de uma doença infecto-contagiosa ou sejam deficientes. Com que direito alguém critica esta atitude?!! Em nome de quê o Refúgio seria obrigado a fazer ainda mais do que já faz? Como é que se destrói o trabalho de um homem que dedica a sua vida às crianças - facto do qual poucos se poderão orgulhar - que criou o conceito de emergência infantil, suplantando as questões burocráticas que se elevavam acima das necessidades das crianças?
Mesmo sendo verdade que esta instituição não tem a obrigação de salvar o mundo, quando o próprio estado português não o faz, Luís Villas Boas ainda explica aquilo que as pessoas que pensassem um pouco perceberiam, nem todas as instituições têm possibilidade de dar resposta às necessidades de uma criança com uma doença infecto-contagiosa ou com deficiência. Não se trata de discriminação, mas de especialização. Nem todos os hospitais têm capacidade para receber doentes com determinadas condições clínicas, mas contra isso ninguém se insurge, e estes são públicos.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/27/2004 09:08:00 PM
Sexta-feira, Março 26, 2004
O estado da educação
Vai mal a nossa educação!
Não falo apenas das turmas com mais de trinta alunos, da falta de infra-estruturas nas escolas, da degradação e do encerramento de estabelecimentos de ensino. Falo sim das bases da educação, dos pais, dos professores, dos educadores.
O que se passa na cabeça de uma mãe quando leva uma criança, de dez anos, ver um filme como
A Paixão de Cristo? Que inconsciência ou fanatismo religioso poderá levar um pai ou mãe a expor o seu filho a uma violência visual e sonora tal, que muitos adultos não aguentam? Será que se despreocupam, que se desresponsabilizam?
Quando cheguei ao departamento de educação que coordeno e me mostrei indignado com este tipo de situações, referindo que filmes como a trilogia do
Senhor dos Anéis eram demasiado violentos para crianças de 8 ou 10 anos, uma das educadoras que lá trabalha mostrou-se surpreendida, considerando excessiva a minha preocupação. Esta funcionária que comigo trabalha é educadora, com formação em ensino, tendo já desempenhado funções de professora em escolas do ensino público.
Estes dois exemplos assustam-me e funcionam como um ciclo vicioso. Quando os valores que são transmitidos às crianças pelos pais e professores já são errados, a sua educação vai nascer minada.
Há milhares de professores desempregados. Mas quantos destes mereceriam um lugar a ensinar? E quantos dos professores efectivos merecem lá continuar?
É pena que não exista um sistema de avaliação da capacidade pedagógica eficaz, que filtre os maus professores e educadores e os afaste das nossas crianças.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/26/2004 11:28:00 PM
Haja juízo
(...) quanto ao Dr. Mário Soares, há que lhe dar um desconto. Eu acredito que ele tenha um qualquer handicap
, como no golfe. - Nuno Morais Sarmento, Ministro da Presidência, em entrevista à Antena 1, ao ter sido confrontado com declarações do ex-Presidente da República.
Não me parece que seja uma forma respeitosa de um ministro, do actual governo, se dirigir a um dos grandes homens do nosso país, por muito polémicas que sejam as suas intervenções.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/26/2004 09:04:00 PM
Quinta-feira, Março 25, 2004
Um mal de direita
Um estudo veio provar que os militantes de partidos de direita não vêem mais nada do que dinheiro à frente do
nariz.
Utilizando vários militantes do PSD como cobaias, foi possível provar que, ainda com um início na
extrema-esquerda, o contacto prolongado com os portadores desta deficiência pode levar ao seu aparecimento.
Como é que podemos querer que governos de direita se preocupem com questões sociais, se o seu problema é crónico?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/25/2004 08:28:00 PM
Ode à violência
Para o bem ou para o mal considero-me uma das pessoas mais tolerantes ao cinema que conheço. Assim, atraído pela polémica que rodeava o último filme de Mel Gibson -
A Paixão de Cristo - ignorei toda a crítica negativa que lhe era dirigida, tal como é meu hábito. E se no passado este comportamento me permitiu ver filmes de grande qualidade, hoje levou-me ao segundo dia da minha vida em que abandonei um filme a meio, por iniciativa própria.
Ao intervalo já comentava que o filme era fraco e que assentava em violência gratuita. Mas estava longe de estar preparado para o que a segunda parte me reservava. Uma sessão quase contínua de pura violência explícita, em que cada sessão de tortura do personagem, cada espancamento, cada ferimento foi explorado ao máximo, com tudo o que os efeitos especiais do cinema do presente podem oferecer, de modo a chocar o mais possível a audiência.
Por respeito a quem me acompanhava, tentei baixar os olhos evitando assim as imagens grotescas a que assistia, mas cedo compreendi que o próprio som era intolerável. Mais do que o desconforto que aquela sessão me estava a provocar, senti-me revoltado por estar a perder o meu tempo a assistir a violência gratuita, sem qualquer propósito ou enriquecimento pessoal. Foi nessa altura que decidir abandonar a sala (como algumas pessoas já haviam feito embora, e infelizmente, a mãe de uma criança de cerca de dez anos não tenha tido essa sensibilidade), irritado por me ter forçado a ver mais do que teria desejado. Disse-me, mais tarde, quem me acompanhava e aguentou o filme até ao fim, que este assim se manteve até ao último minuto.
Se de facto os judeus são retratados como os responsáveis por tudo o que de negativo aconteceu a Jesus Cristo, é também verdade que o filme é mau demais para justificar tanta polémica.
Sem um argumento decente, sem interpretações de valor, com o recurso abusivo à violência explícita, este filme não traz nada de novo e não perdia nada se nunca tivesse sido filmado.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/25/2004 12:54:00 AM
Quarta-feira, Março 24, 2004
Ainda Israel, ainda Yassin
Quando leio alguns
blogs, oiço comentários na televisão ou debato o assunto com outras pessoas, fico com a ideia de que, subitamente, estou rodeado de corajosos pacifistas.
De repente e recorrendo ao comentário que o meu caro
Rajoadas me deixou no texto anterior, o próprio terrorismo é o último recurso dos palestinianos para combater os israelitas que lhes usurparam as terras. Pobres palestinianos que só se conseguem defender, explodindo com civis inocentes no seu dia-a-dia.
Quer-me parecer que estamos todos a opinar de barriga cheia. Neste momento, na segurança (até ver) da minha casa, sentado na minha cama, com um qualquer programa de abelhas em pano de fundo na televisão, sentei-me a debater, por escrito e com outras pessoas em situação similar, a realidade daqueles que perderam um ou todos os familiares num ataque suicida, que visava civis. Com que direito é que condenamos o direito de resposta desta gente a estes ataques? Seríamos tão indulgentes se toda a nossa família morresse às mãos de um destes fanáticos? Seremos tão compreensivos da luta destes senhores quando uma bomba nos levar aqueles que amamos, apenas porque o nosso Primeiro Ministro apoiou a pessoa errada? Porque, meus caros, é o que se passa com os israelitas. Independentemente se concordam ou não com as políticas levadas a cabo por Ariel Sharon, são atingidos na mesma. Porque estes ataques não visam alvos militares, mas sim qualquer civil, apenas por ser israelita, quer defenda a violência ou a paz.
Espanha, onde mais de 90% da população era contra o apoio do seu governo à invasão do Iraque, sofreu um ataque cobarde. Perguntem aos familiares dos que morreram na estação de Atocha como gostariam de ver Osama Bin Laden nos dias que correm. Tentem-lhes dizer que o governo tem que ser justo e brando com aqueles que lhes roubaram o que lhes mais é sagrado, o direito à vida.
Não sejamos tão rápidos a condenar as reacções dos outros, quando nós próprios não sabemos como reagiríamos em situação similar.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/24/2004 12:47:00 AM
Terça-feira, Março 23, 2004
Em legítima defesa
O
sheikh Ahmed Yassin, líder espiritual do
Hamas, foi
morto hoje num ataque levado a cabo pela força aérea israelita.
O líder e fundador de uma organização terrorista foi hoje morto, pela força aérea da nação que tem sofrido com os seus ataques cobardes - é como eu leio esta notícia.
Desde 1994, quando o
Hamas iniciou os seus ataques com bombistas suicidas, que o povo israelita tem vivido um dia-a-dia de medo a olhar por cima do ombro. Uma vida de terror iniciada por este homem, que acaba hoje de morrer.
Das várias tentativas de cessar fogo, no conflito israelo-árabe, este foi sempre quebrado por ataques suicidas de terroristas do
Hamas ou de outras seitas religiosas. O caminho para a paz era sempre bloqueado pela contínua vontade de guerra de senhores como Yassin.
Quando Mário Soares defendeu o diálogo com terroristas, a histeria colectiva tomou conta desta blogosfera e dos comentadores de serviço das televisões portuguesas, que se apressaram a condenar tais declarações e a apelidá-lo de gagá. No entanto, quando um país, que sofre a acção do terrorismo há dez anos, retalia contra um dos grandes impulsionadores desta cobarde forma de guerra, eis que se ergue todo o mundo e arredores para condenar tal acto. Não vi tal reacção quando os filhos de Saddam Hussein foram mortos sem julgamento, pelas forças norte-americanas e numa guerra ilegal. Ou será que um líder terrorista tem um estatuto especial?
É um facto que agora vamos assistir a uma escalada de violência, mas não seria assim também se Yassin estivesse preso? Em vez de vingança assistiríamos a ataques bombistas exigindo a sua libertação.
Como se podem os israelitas defender então? O diálogo com os palestinianos falha por causa destas organizações terroristas, mas é-lhes proibido retaliar contra as mesmas. Será que o que lhes é pedido é que expludam em silêncio?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/23/2004 12:54:00 AM
Domingo, Março 21, 2004
Desculpe, importa-se de repetir?
Se há coisa que me irrita em Portugal, é a inveja! – Durão Barroso, no programa da RTP1
Grande Entrevista, em resposta a um interlocutor que o inquiria sobre a justiça dos ordenados milionários de alguns administradores hospitalares, tendo em conta a realidade da maior parte dos funcionários públicos portugueses.
Considerará inveja, senhor Primeiro Ministro, as pessoas desejarem poder chegar ao fim do mês e conseguir pagar as contas da água, gás e electricidade? Considerará inveja os pais de uma criança desejarem poder conseguir pagar os estudos do seu filho, conseguir comprar os manuais escolares, ao início de cada ano lectivo, que Vossa Excelência continua a taxar como produto de luxo? Considerará inveja as pessoas desejarem poder pagar os medicamentos de que necessitam para preservar a sua saúde, terem acesso a cuidados de saúde dignos e atempados, dado que não o conseguem nos hospitais públicos, geridos pelos seus administradores com ordenados milionários?
É que sabe, senhor Primeiro Ministro, é muito fácil falar de barriga cheia.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/21/2004 12:59:00 PM
Sábado, Março 20, 2004
Ahhh, bons velhos tempos!
Por despacho do Secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins, os técnicos do ICN - Instituto da Conservação da Natureza - foram proibidos de prestar quaisquer tipo de declarações à comunicação social, sem a prévia aprovação do Presidente daquele instituto.
Portanto, quer para informar o público de um censo de cegonhas ou a que espécie pertence um grupo de golfinhos, que entra pela Ria Formosa dentro, os técnicos do ICN, que há anos lidam com a imprensa, necessitam de informar o seu presidente da situação, para que este possa decidir sobre qual a informação que pode ser do domínio público.
Portanto, temos um instituto público, que é financiado pelos impostos dos contribuintes e cuja informação é filtrada, ao jeito da censura dos tempos de Salazar, antes de ser disponibilizada aos mesmos cidadãos que o suportam financeiramente.
Ter-se-á sentido o nosso governo inspirado pela forma de actuar do governo espanhol, aquando do ataque terrorista em Madrid, ou será saudade de tempos passados?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/20/2004 12:07:00 AM
Sexta-feira, Março 19, 2004
O amargo sabor do sapo
Há sapos difíceis de engolir na vida, mas poucos têm um sabor tão amargo como os servidos por um superior hierárquico. Eu gosto de respeitar as pessoas pelo que elas são e pelo que têm para me ensinar, não por uma qualquer posição de poder que possam ocupar. E a verdade é que, muitas vezes, estas características não andam de braço dado.
Não há nada que me custe mais do que cumprir ordens de pessoas pouco inteligentes que têm a mania que sabem do que falam, quando é o oposto que se verifica, ou cujos valores são de ética duvidosa. Se aliarmos a isso o assistirmos ao abuso de pessoas com as quais nos preocupamos, sem que nada possamos fazer, está o quadro completo.
Quando ambiciono uma qualquer fantasia semelhante a ganhar o primeiro prémio do totoloto, o meu objectivo não é deixar de trabalhar ou mesmo montar o meu próprio negócio, mas sim deixar de engolir certos sapos ou de pactuar com certas situações que vão contra os meus valores éticos e morais. Não se tratam de opiniões divergentes ou de formas diferentes de trabalhar, falo sim de questões de fundo, linhas de acção, forma de lidar com as pessoas.
Mas a verdade é que a falta de emprego lá fora e a necessidade de subsistência, fazem com que em altura alguma possamos correr o risco de nos transformarmos em persona non grata aos olhos de quem tem o poder de transformar a nossa vida, com uma só frase.
É triste, mas as pessoas continuam e continuarão a aproveitar-se de uma qualquer posição de poder para tratarem as pessoas como bem entendem, sem qualquer preocupação com o respeito pelo próximo.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/19/2004 08:53:00 PM
Quinta-feira, Março 18, 2004
Como ser terrorista em 10 lições
Nestes últimos dias a TVI tem-nos presenteado com
excelentes peças de jornalismo, nas quais se dedica a explicar ao cidadão comum a melhor forma de fazer entrar explosivos no país e de os colocar em locais de grande afluência de pessoas. Partindo de Espanha ou de Marrocos, lá vão explicando os itinerários menos vigiados e as fraquezas a nível de segurança do nosso país.
Para além de espalhar o pânico entre os portugueses e de poupar trabalho de investigação aos terroristas, o que pretenderá a TVI conseguir com isto?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/18/2004 09:38:00 PM
Quarta-feira, Março 17, 2004
E por cá, não conta?
A comunicação social faz peças sensacionalistas, o governo lança campanhas de aviso e toda a gente fica chocada com a forma como os portugueses são enganados no estrangeiro. Falsas agências que prometem elevados pagamentos por temporadas de trabalho, levam alguns muitos portugueses para experiências infernais além fronteiras.
E a forma como Portugal trata os seus imigrantes? Entre cidadãos da Europa de Leste, do Brasil ou de África (para citar os mais representativos), são muitos e bem conhecidos os casos em que pessoas são escravizadas por empresários portugueses. Construção civil, agricultura ou pequeno comércio, são diversos os casos em que tal se verifica, com a conivência do estado português que não mostra empenho em combater, verdadeiramente, esta situação vergonhosa.
Muitos dos exemplos verificam-se em obras públicas, como por exemplo a recém-concluída auto-estrada do Algarve.
Num governo de coligação tão apegado à igreja e aos ensinamentos da bíblia (como o é, pelo menos, o pequeno partido de extrema-direita que, de facto, é quem define a estratégia a seguir), há um mandamento muito importante que foi esquecido -
Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/17/2004 09:20:00 PM
Prémio gestão danosa 2004
É sem qualquer reserva que
A Toca do Gato anuncia o vencedor do Prémio Gestão Danosa 2004.
Um administrador de uma empresa conseguiu um feito extraordinário, em apenas um mês: provocar a demissão voluntária de um director competente, trabalhador e leal à empresa (apressando-se a espalhar o boato que tinha sido demitido por incompetência); e contratar uma ex-estagiária insubordinada, preguiçosa, não leal à empresa, ignorando o parecer negativo de um segundo administrador, um director e duas chefias, por ser da sua confiança pessoal e poder agir como espia.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/17/2004 08:54:00 AM
Terça-feira, Março 16, 2004
Depois de Madrid
Depois do choque dos atentados em Madrid, há que tirar ilações do sucedido e prevenirmo-nos de uma nova ameaça da qual pensávamos estar livres. Porque a verdade, caro leitor, é que nenhum de nós alguma vez pensou que o terrorismo em massa nos pudesse atingir. É também verdade que, tendo em conta os últimos acontecimentos, essa certeza desvaneceu-se.
Não sou apologista da histeria colectiva e de alterarmos todo um modo de vida em função de uma ameaça que pode nunca vir a concretizar-se, mas também me oponho ao discurso simplista e de desvalorização do governo.
Sem alarmar a população, o governo deve mostrar-se atento, reforçando ao máximo as medidas de segurança em torno dos portugueses. Logo após os atentados, quando era muito pouco provável que algo sucedesse, aumentou-se a vigilância na fronteira, tendo sido colocados mais efectivos da GNR junto a Vilar Formoso (porque na fronteira do Caia ninguém era parado). Também era capaz de apostar que, quando as notícias sobre o atentado diminuírem de intensidade, esse reforço cessará, ou seja, exactamente quando volta a ser perigoso.
A organização do Euro 2004, pouco antes dos atentados, afirmava estar ainda a considerar a hipótese de colocar ou não detectores de metais à entrada dos estádios, referindo ainda os responsáveis que se alguém quisesse fazer mal, dentro de um estádio, não haveria como impedi-lo. Considero estas afirmações de uma irresponsabilidade e de uma desresponsabilização atrozes. Como é que a organização de um evento faz afirmações destas, desresponsabilizando-se da vida de milhares de pessoas? Há que fazer tudo, por muito dispendioso que seja, para que nem uma pessoa perca a vida num destes eventos. Se uma única pessoa morre por negligência é porque não nos preocupámos o suficiente, é porque não nos empenhámos como devíamos.
Numa altura destas não podemos ser portugueses na nossa forma de operar - à última da hora e confiando na sorte - temos que ser responsáveis e aprender com a triste experiência alheia.
Porque a verdade, meus caros, é que também nós abrimos os braços ao terrorismo, colocando-nos ao lado da ganância e da mentira, numa guerra ilegal com interesses pouco clarificados, mas bem claros. Também nós fomos a correr colocando os nossos homens e mulheres no Iraque. E não se iludam, não somos diferentes por lá estar a GNR em vez do exército, tal aconteceu para não colocar em confronto o Presidente da República (comandante supremo das forças armadas) e o Primeiro Ministro (pupilo de George W. Bush e cheio de vontade de agradar os Estados Unidos), evitando assim uma crise política nacional.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/16/2004 08:07:00 AM
Segunda-feira, Março 15, 2004
Sem horizontes
Já terá reparado o leitor mais atento que gosto de me debruçar sobre os mais variados assuntos e abordar tópicos que vão bem além do meu
quintal. Não consigo viver completamente isolado do mundo, num deliberado comportamento autista, escusando-me a tomar parte do mundo que me rodeia.
Naturalmente que, para além de escrever na Toca e obter algum
feedback das minhas palavras, gosto de debater, com frequência e com aqueles que me rodeiam, os assuntos que mais mexem com as minhas convicções. Ora, para mal dos meus pecados, vivo rodeado de apáticos socio-políticos, cujo ponto alto do dia é a que horas irão ao cinema à noite ou quantas pessoas a eles se juntarão para jogar matraquilhos. Falo de gente licenciada ou com frequência universitária, com empregos criativos ou de responsabilidade, que se recusa a ver os serviços noticiosos das televisões (ler jornais, nem pensar) e afirma orgulhosamente que não sabe nada de política, nem para tal tem paciência.
Como é que é possível uma pessoa abster-se de ter opinião sobre o que passa?
Política já deixou de ser aquele palavrão que ouvíamos os nossos pais pronunciar. É tudo o que nos rodeia!
Perguntava a uma funcionária, que trabalha sob minha coordenação -
Se não vês nem ouves notícias e se dizes que de política não percebes nada, o que fazes quando chega a altura de votar? - ao que ela respondeu -
O meu pai, por vezes, explica-me mais ou menos o que se passa. Mas costumo colocar uma cruz em todos os partidos.
Esta pessoa escolhe abdicar do direito mais sagrado que lhe é conferido, a sua opinião, a possibilidade de mudar o que está errado. Poderia, como forma de protesto, optar pelo voto em branco, contabilizado e com significado político aquando da contagem dos votos. Mas, ao invés disso, opta pelo voto nulo, facilmente atribuível a quem não soube preencher o boletim de voto.
Estas pessoas passam toda uma vida a queixarem-se das medidas que são tomadas por quem os representa, mas quando lhes é conferida a oportunidade de dizer
Não, ficam em casa ou deitam o seu voto à rua.
São pessoas que vivem para o dia-a-dia, fechadas no seu mundo, as pessoas às quais Salazar se referia quando afirmava -
Dêem-lhes pão e circo...
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/15/2004 12:20:00 PM
Piu
Pela boca
morreu o peixe.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/15/2004 01:49:00 AM
Até ao último minuto
Estou a olhar para uma pilha de papéis e para o
site da DGCI. Sinto-me como o miúdo que olha para o trabalho de casa e decide que vai esperar até ao último minuto para o fazer, mesmo sem saber se vai ter tempo para o terminar.
É provável que amanhã o servidor, que permite a entrega de declarações de IRS, esteja inundado de miúdos com o trabalho de casa em atraso e que este que vos escreve não o consiga acabar. Mas vou tentar de qualquer modo.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/15/2004 01:47:00 AM
Domingo, Março 14, 2004
Assim se vive num estado democrático
A TVE não tem estado a cobrir as manifestações do povo espanhol, que protesta contra as acções do seu governo que os levou a estar na mira do terrorismo islâmico, tendo os cidadãos estado a ser informados por televisões estrangeiras.
Está-me a parecer que Aznar tem estado demasiado atento ao
modus operandi de Berlusconi, manipulando a comunicação social espanhola na esperança desesperada de salvar as eleições de amanhã.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/14/2004 12:05:00 AM
Sábado, Março 13, 2004
Como vai ser Durão?
Os fins justificam os meios - Parece ser este o lema do governo de José María Aznar, pois só isso justificaria a atitude que tem assumido, após o sangrento atentado que vitimou mortalmente duzentos dos seus cidadãos e feriu mais de um milhar.
Aznar prometeu que os espanhóis seriam informados de toda a verdade, tendo sublinhado
toda! Pois o que dá vontade de dizer é
put your actions where your mouth is!
Mas infelizmente isso não interessa às ambições de uma maioria absoluta do PP nas legislativas de amanhã.
A ETA militar já negou a autoria do atentado, a AlQaeda já o reivindicou e a secreta espanhola afirma ter 99% de certeza de que o atentado é de origem islâmica, mas o senhor Aznar e o seu séquito continuam a ter dúvidas e a apontar baterias ao terrorismo doméstico.
Ora vejamos, se se tratasse de facto de um atentado
etarra, a postura do PP de não dialogar com terroristas beneficiaria o partido no escrutínio de Domingo, saindo o dialogante PSOE derrotado do mesmo; mas se se verificar ser um atentado muçulmano, como vingança da participação espanhola na aliança para a invasão ilegal do Iraque, os eleitores pensariam duas vezes antes de recolocar no poder um partido que os tornou um alvo da AlQaeda, por uma causa na qual não acreditam e que se provou estar envolta em mentira e acções pouco claras.
É desprezível a atitude do governo espanhol, ao jogar com as emoções de um povo que está em sofrimento, após um atentado terrorista em resposta a uma má política externa, para atingir resultados eleitorais.
Para azar destes senhores o povo espanhol começa a
acordar e a apontar responsabilidades ao governo e ao PP.
Como vai ser senhor Primeiro Ministro Durão Barroso, se Portugal se tornar um alvo de um ataque terrorista, como resultado do circo que montou nas Lages antes da invasão do Iraque? Que desculpa esfarrapada vai inventar, para desviar a atenção do facto de ter arrastado o país para uma guerra terrível, por uma causa na qual apenas o seu governo acreditava?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/13/2004 11:55:00 PM
Sexta-feira, Março 12, 2004
Esta noche...
...una vela en la ventana de cada casa por los que nos han quitado.
Pasa por favor el mensaje.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/12/2004 08:53:00 PM
Quinta-feira, Março 11, 2004
De luto
Hoje o mundo livre ficou ainda mais pobre.
Não consigo pensar em nada de construtivo para escrever acerca
deste ataque cobarde. Sinto demasiado ódio para que o consiga fazer.
Neste momento de tristeza alio-me ao nosso Presidente da República, Primeiro-Ministro e membros da Assembleia da República na solidariedade para com o povo espanhol e, em particular, para com as vítimas e suas famílias.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/11/2004 09:12:00 PM
Quarta-feira, Março 10, 2004
Sir José Mourinho - Embaixador de Portugal para o Euro 2004
O Euro 2004 está aí à porta e o que faz Portugal? Dá tiros nos pés, uns atrás dos outros!
Violência nos estádios, violência nos relvados, dirigentes que insultam árbitros e outros dirigentes; será este o nosso cartão de visita aquando do decorrer deste evento desportivo?
De forma a sermos coerentes, só nos falta nomear um embaixador do futebol nacional. Perdoe-me o Eusébio, mas considero-o completamente desactualizado. Eusébio já não representa o futebol actual. Assim permito-me avançar com o nome de José Mourinho. Creio ser um nome que reúne tudo o que há de representativo do mundo do futebol: arrogância, violência, mau perder, mau ganhar. O que me levou a decidir por esta eleição foram os gestos obscenos que Mourinho exibiu ao entrar para o túnel que o levaria para fora do campo, ao terminar o jogo do Futebol Clube do Porto contra o Manchester United, acto que foi transmitido para todo o mundo. Quando o treinador de um dos maiores clubes portugueses, numa das provas mais importantes do mundo do futebol, se comporta desta forma, mais vale assumirmo-nos como somos e fazer disso imagem de marca.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/10/2004 11:03:00 PM
O valor de uma vida
Quanto vale a vida de um cidadão para o governo português? Ao que parece muito pouco, dado que este continua a mostrar-se pouco empenhado em evitar o desperdício inútil de vidas inocentes, às mãos de homicidas de trazer por casa que abundam nas estradas portuguesas.
Todos os dias morrem pessoas nas estradas, sendo que muitos dos acidentes se devem ao consumo de álcool. 83% dos portugueses considera mesmo ser o álcool a principal causa da sinistralidade nas estradas, sendo que 43% admitem ainda conduzir sob o seu
efeito. Parece-me que o denominador comum aqui é o álcool.
O governo tem medo do
lobby dos produtores de vinho e já o demonstrou no passado. E, neste caso, não houve diferença da esquerda para a direita. Se durante a última legislatura socialista pudemos assistir ao recuo cobarde do PS quanto à redução da Taxa de Álcool no Sangue, de 0,5 g/l para 0,2g/l; agora e após um primeiro anúncio de intenção de interditar a venda de bebidas alcoólicas nas estações de serviço das auto-estradas, podemos assistir ao silêncio do governo de coligação, como resposta à forte contestação do sector a esta medida.
É da minha opinião que, enquanto morrer uma só pessoa inocente nas estradas portuguesas, não há motivo para celebrações. Mas devo estar sozinho neste meu pensamento, dado que quem tem poder de decisão considera mais importante a indústria do álcool do que a vida de milhares de portugueses que é perdida, anualmente, nas nossas estradas.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/10/2004 10:41:00 PM
Terça-feira, Março 09, 2004
Uma cidade de quem caminha
Ontem revisitei Évora, onde vivi os quatro mais felizes anos da minha vida.
Para além de toda a nostalgia característica de um regresso, tive a oportunidade de voltar a sentir-me bem na pele de um peão.
Cada vez mais as cidades são dos automóveis. E se pensarmos que até poderia haver um esforço no sentido de afastar os carros do centro das cidades portuguesas, lá vem um qualquer autarca, candidato a presidente da república, facilitar a entrada de mais uns milhares numa cidade, caracterizada pela fluidez do seu trânsito automóvel.
Em cidades como aquela onde eu habito sinto-me deslocado quando ando a pé, exceptuando nas zonas fechadas ao trânsito. Em Évora reverte-se a situação, os carros parecem estar a mais. À excepção de duas ou três artérias de maior porte, os peões tomaram conta da cidade.
Não pense o leitor que não há carros e trânsito em Évora. Existem e em quantidade apreciável, mas na maior parte da cidade é o peão quem dita as regras, é à velocidade do peão que as coisas se movem. E não vale a pena entrarmos para lá com o espírito de condutor Lisboeta (o exemplo que melhor conheço) que pretende que toda a gente se movimente a toque de buzina. O peão de Évora não vai andar mais depressa por isso.
E sabem que mais? Sabe tão bem poder ir a pé para qualquer lado rodeado pela beleza de uma cidade Património Mundial pela UNESCO. Sabe bem largar o carro e, simplesmente, andar.
Sinto falta disso desde que me mudei para esta homenagem ao cimento, que é a cidade de Faro.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/09/2004 09:52:00 PM
As mulheres e a política
Há uns tempos alguém sugeriu que deveriam existir quotas mínimas de mulheres na Assembleia da República. Lembro-me de considerar tal medida um insulto às mesmas, que insinuaria que não teriam capacidade de o conseguirem sozinhas.
É um facto que são bem menos as mulheres que seguem cargos políticos do que os homens. Mas se formos ver, são cada vez mais as mulheres a assumir posições de chefia, o que contraria qualquer argumento que invalide a sua qualidade como profissionais de topo e a teoria da resistência masculina em dar cargos mais altos a mulheres.
Podemos não concordar com as posturas assumidas, mas a verdade é que, nos diferentes campos políticos, ainda que em minoria, temos mulheres de garra (e.g. Maria José Nogueira Pinto, Manuela Ferreira Leite, Helena Roseta, Odete Santos, Ana Drago). O que se passa então no caso da política?
Acredito que a política e tudo o que a rodeia, interessa menos às mulheres do que aos homens. Avançarão com ambição até ao cargo público mais alto não político, mas depois são poucas as que darão o passo seguinte.
Não deixam por isto de se interessar pelas questões fulcrais que são debatidas, mas não têm paciência para os jogos políticos a que todos os dias assistimos.
Esta minha especulação (porque não passa disso mesmo) surgiu ao passear-me pela blogosfera. São poucos os
blogs que se dedicam ao comentário e debate político, da autoria de mulheres ou nos quais estas participem. Não se escusam a comentar as grandes questões que nos afectam a todos, mas preferem dedicar-se aos problemas do dia-a-dia ou aos pequenos prazeres da vida.
Mesmo na minha vida profissional ou social, mais facilmente encontro parceiros de debate político nos homens do que nas mulheres, salvo raras mas agradáveis excepções. Simplesmente não lhes reconheço apetência para a coisa.
Estará esta explicação completamente errada? Talvez, mas a verdade é que não é completamente vazia de fundamento.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/09/2004 12:00:00 AM
Segunda-feira, Março 08, 2004
Dia da Mulher
Quando penso que um dia dedicado à mulher já não faz sentido nos dias que correm, lembro-me
disto e
disto. Num segundo, tudo volta a fazer sentido de novo.
Os meus parabéns a todas as mulheres deste mundo!
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/08/2004 11:07:00 PM
Florestas que já o foram um dia...
Nestes últimos dois meses tive a infeliz oportunidade de passar por dois dos pontos mais fustigados pelos fogos do passado Verão - Gavião (e zona circundante) e a Serra Algarvia.
É difícil descrever a desolação em ambos os exemplos. Ontem, enquanto percorria uma qualquer estrada perdida no meio da Serra Algarvia, olhava em meu redor e só via floresta queimada até onde a minha vista alcançava. Um imenso património natural foi perdido!
Mas o que me sossega é que o nosso governo não vai cometer o mesmo erro duas vezes e vai tomar medidas preventivas, de modo a evitar o inferno de 2003. Afinal, até já inventou mais um imposto para plantar eucaliptos.
O quê? Não é suficiente? Não vai evitar que o resto da floresta arda? Bem, nesse caso teremos que pensar nisso lá para 2005, porque este ano o orçamento já não o permite!
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/08/2004 10:59:00 PM
Domingo, Março 07, 2004
Vida, a partir de quando?
Da Conferência Episcopal saem as primeiras notícias. Bispos admitem atenuantes ao crime e apelam à despolitização do debate sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG). Mas desta conferência sai um outro apelo, que seja encontrada a definição oficial de vida para Portugal.
Pois logo o pedido efectuado se apresenta tendencioso. A definição de vida é demasiado abrangente. Uma célula é uma forma de vida. O que é importante definir é a partir de quando essa forma de vida é viável sem o apoio do corpo que o hospeda.
Sou da opinião que uma mulher não deve ser forçada a suportar uma forma de vida que depende directamente do seu corpo, a menos que seja esse o seu desejo. Naturalmente que deve existir um limite do desenvolvimento do feto, a partir do qual a IVG não seja permitida, e um controlo a quem recorre a esse método, de forma a que não passe a ser utilizado regularmente como método de contracepção. Mas é importante, e nunca é demais repeti-lo, acabar com esta hipocrisia, que tem resultado na morte e mutilação de tantas mulheres.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/07/2004 01:54:00 PM
E esta hein?!!
Uma das coisas que me irrita nos comentadores que ultimamente florescem nos serviços noticiosos da televisão portuguesa, é a falta de imparcialidade nos seus comentários. O seu partido de eleição ou o governo que por ele é constituído pode ter cometido a mais óbvia das argoladas, mas há sempre uma desculpa para o sucedido e, no fim, conseguem transformar um erro numa mais valia para o país.
Quando ontem me preparava para ouvir o comentário de
José Pacheco Pereira (JPP), na SIC, e o jornalista aborda a disciplina de voto, imposta pelo PSD na questão da interrupção voluntária da gravidez, já me preparava para ouvir uma qualquer desculpa para tal medida. Mas qual não foi a minha surpresa quando JPP critica o sucedido, lamentando-o, e afirma que espera que tal não volte a acontecer.
Como cereja no topo do bolo JPP critica peremptoriamente a atitude do autarca de Marco de Canavezes, como até agora não tinha visto nenhum membro de um partido da coligação fazer.
A mim surpreendeu-me pela positiva, caro Pacheco Pereira, espero que tal se repita muitas mais vezes.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/07/2004 01:02:00 PM
Sábado, Março 06, 2004
Terrorismo nas escolas
E, de repente, ninguém sabe como foi ou quem deixou!
Milhares de panfletos da organização SOS Vida, com propaganda de extrema violência, sobre uma versão distorcida do que é a interrupção voluntária da gravidez, são
distribuídos em escolas públicas e privadas e ninguém sabe quem o autorizou. Não é um pouco estranho? E quem é que está por detrás desta infame manobra terrorista? A nossa querida Igreja Católica, claro!
Estas pessoas não têm a mínima noção do que é educar uma criança, basta ver o argumento utilizado pelo Padre Jerónimo Gomes para defender esta aberração -
tudo se pode dizer (às crianças) desde que seja científico e de maneira simples. - Maravilhoso, aqui está um padre da velha guarda. Será também este senhor apologista de se ameaçar as crianças com azeite a ferver para lhes tentar arrancar a verdade?; ou das punições pela violência física quando estas demonstram dificuldade em aprender e dão erros nas aulas? Confesso que temo pelas crianças que estão sob tutela das pessoas que patrocinam este tipo de iniciativas. Este tipo de acções mostra bem o tipo de pessoas que têm vindo a assegurar e defendem a perpetuação do crime contra as mulheres portuguesas, que a presente lei constitui. É simplesmente vergonhoso! Ninguém me convence que a secretária de estado da educação, Mariana Cascais, não tinha conhecimento de uma manobra desta envergadura. Alguém tem que ser responsabilizado por esta situação. E, caso se verifique que os presidentes dos conselhos executivos das escolas actuaram de forma autónoma autorizando a distribuição deste material, o que eu duvido, estes deveriam ser demitidos. É inaceitável que professores com este conceito de educação, possam estar à frente do destino das escolas que estão a formar as crianças deste país!
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/06/2004 08:24:00 PM
Sexta-feira, Março 05, 2004
Ahhh, sou um adulto!!!
É inevitável, um dia acordamos e somos adultos.
Confesso que não dei pela mudança, mas há alguns sinais aos quais podemos estar atentos:
- Lavamos as mãos ao fim de umas horas e a água não fica castanha;
- Uma só pastilha elástica não nos dura uma tarde;
- Não nos levantamos de madrugada para ver desenhos animados;
- Sabemos exactamente onde e como foi feito
aquele corte ou arranhão, que temos no nosso corpo;
Prestem bem atenção a estes sinais! Se os detectarem, dirijam-se ao ponto de recenseamento eleitoral mais próximo e aguardem penosamente as Eleições Europeias.
Entretanto, aceitam-se sugestões de mais sinais indicadores do estado adulto.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/05/2004 10:28:00 PM
A gravidade é uma coisa lixada
Com o nosso espírito crítico, a nossa mania de julgar e de ter opinião sobre tudo, desenvolvemos um comportamento muito inconsequente, que eu gosto de apelidar de
cuspir para o ar. Acredito que tenho dado muitas
cuspidelas para o ar, aqui na
Toca, mas gosto de acreditar que, de facto, tenho razão no que afirmo.
Um exemplo, muito simples e caseiro, passou-se comigo, em relação a um elemento da minha família. Por essa altura esse elemento habitava no Algarve e negligenciava uma família que tinha em Lisboa e à qual eu pertencia. Naturalmente, com um espírito crítico fortemente vincado já na altura, molestava-o continuamente por essa falha, rebatendo qualquer argumento que fosse por ele utilizado.
Nos dias de hoje, habitante do Algarve, negligencio uma família que tenho em Lisboa e à qual ele pertence. Argumentos? Tenho-os de facto, mas são todos rebatidos.
Aprendi a deixar de
cuspir para o ar? Não, criei a
Toca do Gato.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/05/2004 08:45:00 PM
Quinta-feira, Março 04, 2004
8 horas, 480 minutos, 28800 segundos
Não posso responder pelos restantes, mas eu gosto da minha vida para além do trabalho. Gosto de estar com as pessoas que me são queridas, gosto de ler, de escrever, de ver cinema, de passear enfim, gosto de ter tempo para mim. Mas, à semelhança do que acontece com a maioria dos portugueses, eu sinto que tenho cada vez menos desse precioso tempo. O meu emprego está a roubar-me a maior parte da minha vida. Para além das 8 horas por dia (se não forem necessárias horas extra) perco, pelo menos, mais duas horas em deslocações de e para o local de trabalho.
Quando leio notícias em que, como medida de aumento da produtividade dos portugueses, se fala em aumentar o número de horas de trabalho semanais, só tenho vontade de rir. A questão da produtividade, tal como já tive a oportunidade de aqui afirmar, não se prende com o número de horas que uma pessoa se encontra a trabalhar, mas sim com a motivação do trabalhador. Há não muito tempo e salvo raras excepções, o dia não me chegava para tudo o que tinha para fazer no meu emprego. Quando olhava para o relógio não percebia onde tinha gasto o tempo. Agora, salvo raras excepções, vejo os minutos passar tão devagar como nunca vi, não tenho qualquer paciência ou prazer de estar no meu local de trabalho, é uma tortura sair de casa de manhã. Chego à minha secretária e recordo com saudade a hora do dia anterior em que desliguei o computador para vir para casa. Bastaram meia dúzia de meses para que passasse do trabalhador exemplar, para o mais desmotivado dos funcionários públicos (peço desculpa ao
Jumento por este paralelismo, mas a verdade é que é um exemplo conhecido). O que é que mudou? Deixei de gostar de trabalhar? Não, muito pelo contrário. Simplesmente cansei-me de lutar contra a maré para, ainda por cima, me sentir injustamente penalizado por uma administração que coloca interesses pessoais à frente dos interesses da própria empresa. Porque me hei-de preocupar em lutar por projectos que visam o melhoramento da empresa, contra os próprios donos. Porque hei-de ter dores de cabeça, quando os principais interessados não se preocupam?
Se, aliado a tudo isto, penso no tempo útil da minha vida que estou a desperdiçar com este emprego, desespero. É puro desperdício!
Esta história, contada na primeira pessoa, é apenas um dos muitos exemplos de desmotivação por erros de gestão. Se há coisa que os governos de direita, e os empresários que os apoiam, não percebem é de pessoas e do que as move. Nunca governos como este vão conseguir o que quer que seja em termos de aumento de produtividade, muito menos pela imposição. Falta-lhes conhecimento sobre as pessoas que, afinal, constituem o essencial da economia.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/04/2004 08:10:00 PM
Quarta-feira, Março 03, 2004
Parcialidades
A ideia que eu tenho de um presidente da Assembleia da República é a de uma pessoa com uma posição imparcial, durante os trabalhos. Mas, de facto, não é o que observamos nas acções do tendencioso Mota Amaral.
Para além do facto, já aqui evidenciado, de constituir a primeira linha de defesa do governo de coligação, hoje este senhor mostrou que nem para com a população consegue mostrar-se imparcial. No fim da sessão da assembleia, cidadãos que assistiam à votação e que defendiam a despenalização do aborto, manifestaram-se de forma ruidosa. O acto foi prontamente condenado por Mota Amaral, que deu instruções às forças de segurança para conduzirem os manifestantes para a saída. Até aqui nada de anormal, mas quando um grupo de populares, contra a despenalização, decide festejar, também ruidosamente, o presidente da assembleia manteve-se calado e as forças de segurança, a medo, lá começaram a dispersar o grupo.
Assim se mostra que só tem direitos quem está do lado da coligação, quem se assume contra será sempre escandalosamente preterido.
O que poderemos então esperar de um Presidente da República como Cavaco Silva ou Pedro Santana Lopes?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/03/2004 10:15:00 PM
Luto
Hoje é um dia em que me envergonho de ser português. Porque não serve de nada dizer que a minha opinião é completamente contrária. A verdade é que a maioria, eleita pelo povo português, votou que se deve continuar a perseguir as mulheres, que desejam interromper voluntariamente a sua gravidez; votou que devemos continuar a viver uma hipocrisia em que achamos que nada se passa porque não é às claras; votou que se deve preservar uma forma de vida incompleta, que nunca conseguiria vingar fora do corpo que a sustenta, mas que a vida das mulheres que morrem ou que são mutiladas nos abortos clandestinos não tem valor; votou sim que devemos continuar no século passado em que as mulheres são penalizadas simplesmente por serem mulheres.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/03/2004 08:55:00 PM
A vida levada ao extremo
Costuma-se dizer que tudo o que é demais, não presta. Tal afirmação é muito verdadeira, o próprio sentido do advérbio -
demais - o diz. Eu partilho da mesma opinião, no que diz respeito aos extremos de qualquer doutrina (ideológica, política ou religiosa) ou modo de vida. Evitarmos os extremos não faz de nós todos iguais, dá-nos larga margem de manobra para definirmos a nossa identidade sem sermos todos carneiros. Por outro lado as posições extremas dão, invariavelmente, lugar ao desrespeito por direitos e liberdades de pessoas ou populações. Independentemente de concordar ou não com alguns pontos de vista, mostrando-me, muitas vezes, efusivamente contra determinado assunto ou posição, defendo o direito de outras pessoas terem uma posição contrária à minha. Deste modo os mais atentos poderão encontrar-me, aqui ou comentando outros
blogs, a defender posições contrárias. Eu tenho uma opinião muito crítica relativamente à religião em geral, mas insurgir-me-ei contra aqueles que tentarem oprimir o direito de outros à sua crença; posso ser crítico contra o espírito de auto-vitimização de alguns homossexuais, autores de
blogs, ou de algumas comunidades judaicas, mas considerarei sempre deplorável e condenarei o uso de violência verbal, escrita ou física contra as pessoas de qualquer um destes exemplos.
Como dizia Voltaire,
não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la!
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/03/2004 07:16:00 PM
Terça-feira, Março 02, 2004
Euro 2004 – medidas de segurança
Aquilo a que todos assistimos nos telejornais de ontem é mau demais para ser verdade, por momentos pensei ter regressado à
Twilight Zone. Depois das imagens de puro
hooliganismo, por parte de um autarca do Partido Popular do norte do país, fomos presenteados com o espectáculo de circo, protagonizado pelo mesmo senhor que insultava tudo e todos em directo na SIC Notícias (incluindo o próprio entrevistador), justificando a sua atitude com dedicação à terra que o elegeu e reafirmando todas as ameaças e insultos que proferiu em campo.
Naturalmente que esta situação não pode ser verdade, pelo que
A Toca do Gato avança com duas explicações para o sucedido:
1 – Tratou-se de um simulacro para cobrir uma situação inédita, até agora não considerada pelas forças de segurança e para as quais não se encontravam preparadas - actos de violência levados a cabo por governantes portugueses (e.g. autarcas, ministros, entre outros). Avelino Ferreira Torres estava a colaborar com as autoridades na preparação do Euro 2004, tendo por palco um jogo muito importante com o Marco de Canavezes, em tudo semelhante aos mais importantes jogos do Euro.
2 – Avelino Ferreira Torres integra uma equipa especial que visa a dissuasão da vinda de
hooligans ingleses para Portugal. Ao demonstrarmos que, em Portugal, até os autarcas promovem actos de violência, damos a entender a estes desordeiros britânicos que não haverá espaço para a sua actividade, correndo eles próprios o risco de se transformarem em vítimas destes políticos tresloucados.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/02/2004 12:17:00 AM
A guerra da libertação de quem?
Uma das desculpas apresentadas pela administração Bush para levar acabo a guerra contra o Iraque era a oportunidade de libertar o país da ditadura e começar a semear a democracia, como regime a adoptar.
O resultado está longe de se aproximar de tal, parecendo inclusive estarmos prestes a observar uma regressão dos direitos das mulheres.
A Lei do Estatuto Pessoal, em vigor no Iraque desde 1959, conferia às mulheres iraquianas mais direitos do que a larga maioria dos países muçulmanos, o que fazia deste código dos mais avançados do universo muçulmano, no que toca aos direitos da família.
O conselho do governo, uma mescla de etnias e confissões religiosas, aprovou uma decisão que revoga essa lei. Como resultado desta medida, assuntos como o divórcio, custódia dos filhos e heranças passam para a competência das autoridades religiosas. Segundo a Revista Visão, esta lei praticamente que equivale à instauração da lei islâmica, com a consequente perda dos direitos já adquiridos pelas mulheres iraquianas.
No seguimento do post anterior, já se vislumbra o início de um fogo que pode ser complicado de apagar mais tarde.
Mais uma vez a intervenção dos E.U.A. ameaça influenciar negativamente o destino de um povo, desta vez com a conivência do governo português. Não se sentem orgulhosos por terem sido arrastados para esta asneira?
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/02/2004 12:15:00 AM
Segunda-feira, Março 01, 2004
Aprender com os erros? Para quê?
Eu não tenho a mania de perseguir os Estados Unidos da América (E.U.A.), muito pelo contrário, gostei muito de lá estar e fiquei muito bem impressionado com muitas pessoas que lá conheci. Agora, convenhamos que as políticas levadas a cabo pelos seus governantes são férteis em burrices, umas atrás das outras, levando a que o seu próprio país e o resto do mundo passem a vida a resolver as asneiras que delas resultaram. Basta passar em revista dois ou três exemplos:
Indonésia - No pico da guerra fria, os E.U.A. patrocinaram a tomada de poder do general Suharto contra os comunistas e o presidente que os apoiava; o general torna-se num ditador que muitos anos depois é forçado à demissão e a comunidade internacional, através da ONU, é forçada a intervir na questão de Timor Leste, situação criada pela política militar e de repressão do mesmo militar.
Iraque - O país e o ditador, Saddam Hussein, são armados militarmente pelos E.U.A. para combater o Irão que, por sua vez, era apoiado pela União Soviética; em 1991 os Norte Americanos e a comunidade internacional são
forçados a intervir para combater a invasão ilegal do Koweit pelas forças Iraquianas.
Haiti - Jean Bertrand Aristide, empossado presidente por forças americanas em 1994; hoje E.U.A. e outros países como França e Canadá são forçados a intervir militarmente, com mandato da ONU, para resolver uma situação de guerra civil criada, entre outras coisas, por acusações de fomentação de corrupção levada a cabo pelo próprio presidente.
As pessoas e os países costumam aprender com os próprios erros, os E.U.A., pelo contrário, gostam de bater com a cabeça na parede. O único problema é que quando é para resolver os problemas calha a todos nós, não só a quem os criou.
- Arranhado por Gato Gaspar @
3/01/2004 10:37:00 PM
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