A Toca do Gato

A Toca do Gato

Para ti, que assinavas os teus texto com um gato, e não me deste tempo suficiente para te conhecer...

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Num só segundo...

A nossa vida é feita de desencontros, de escolhas precipitadas e erradas, e de asfixiantes comodismos. Somos, provavelmente, chamados a tomar decisões demasiado importantes demasiado cedo e de acordo com o que a sociedade de alguma forma espera de nós. Quer nas nossas carreiras, quer nas nossas relações, quer no percurso de vida que escolhemos, de repente, toda a gente tem uma palavra a dizer sobre a nossa vida; a felicidade de toda a gente conta menos a nossa.
Na nossa sociedade há cada vez menos pessoas a considerarem válidas amarras de qualquer natureza. Mas destas são muito poucas as que conseguem levar uma vida de acordo com as suas convicções. Muitas delas deixam-se ficar agarradas aos seus grilhões, infelizes no que fazem, como o fazem e com quem o fazem. Suspiram pela mudança, mas vão adiando o dia em que a imponham.
Vamos deixando para amanhã um elogio ou uma palavra agradável, porque se calhar hoje é demasiado cedo; evitamos dizer a uma pessoa que gostamos muito dela, porque provavelmente ela sabe ou poderá encará-lo como despropositado; vamos adiando um momento de partilha, de prazer, de carinho, porque se calhar achamos que isso seria entregarmo-nos a um comportamento demasiado egoísta ou mesmo moralmente condenável; permitimos-nos afastar de algumas pessoas que significam muito para nós, por imposição de alguém que se arroga a esse direito.
As pessoas vivem enclausuradas em empregos infelizes, amarradas a relações que não as completam, vivem rotinas e realidades que as asfixiam e amputam a sua alma.
Um dia, com o pragmatismo que lhe é característico, alguém me disse algo que guardei - a vida deve ser vivida como nos dá prazer. Hoje existe, mas acaba num segundo.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 9/04/2009 07:21:00 PM
Bitter taste

And then you find yourself on the other side of the fence. And then it's a bitch...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 9/04/2009 07:20:00 PM

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Looping

O que fazemos quando o nosso cérebro viaja descontrolado a 1000 Km/h, seja por bons ou maus motivos, sem nos conseguirmos abstrair ou deixar de andar em circulos em torno de uma só ideia?
Enfiamo-nos num ginásio e levamos o corpo à exaustão...
- Arranhado por Gato Gaspar @ 9/03/2009 11:17:00 PM

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Um Junho tardio

Quando descobrimos um padrão no nosso comportamento, rapidamente nos apressamos a tentar perceber se somos escravos desse padrão, ou simplesmente se trata de um lugar de conforto.
Nos últimos anos apercebi-me de que o mês de Junho, e toda a sua luz, me trazia uma energia sem paralelo e me deixava mais receptivo a tudo o que há de bonito à minha volta. Quer sob a forma de música, beleza natural, beleza física ou a simples partilha de momentos e sentimentos.
Este ano perguntava-me se seria um estado de espírito transversal a todos os meses de Junho e a esse crescente de luminosidade, ou se era algo pontual que dependia de um sem número de variáveis. Quando a data chegou, nenhuma alteração ao estado de espírito foi sentida. Pelo contrário, verificou-se ser um dos períodos mais difíceis do último e dos últimos anos. O meu mês, cuja luz funcionava como uma droga que me dava uma boa sensação de bem-estar a prolongar-se por várias semanas, não tinha funcionado. Será que, como todas as drogas, também a luz já não surtia o efeito desejado. Mais complicado, será que não tendo atingido esse tão almejado estado de abertura e criatividade no pico de luminosidade, tal já não aconteceria este ano?
É hoje Setembro. A luz sente-se cada vez mais curta. Não há grandes alterações às origens das minhas dificuldades. No entanto sinto-me bem. Cresce em mim o bem-estar e a serenidade de quem activamente procura alterar a sua vida, de quem activamente procura as suas coisas bonitas, sem esperar que estas sejam captadas por alguma antena bem posicionada.
Devia reler com mais frequência o que aqui escrevo. É que o mundo bonito anda à nossa volta, só temos que lhe prestar atenção.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 9/02/2009 08:05:00 PM
Fronteiras perenes

É porventura estranha a facilidade com que aprendemos a erguer barreiras emocionais. Mesmo (e muitas vezes sobretudo) com aqueles que nos estão mais próximos.
Por vezes surge alguém aparentemente meritório de olhar um pouco mais para dentro de nós. E nessa altura sabe bem. Voltamos a ser nós próprios, como já não podíamos há muito tempo. Mas cada vez mais, e quanto mais vivemos e experimentamos contactos e sensações, a altura em que baixamos as nossas defesas surge tardia.
E mesmo nessa altura o ressurgir dessa linha de defesa está ao alcance de um botão virtual. Com a facilidade ou o desperdício de uma palavra bem ou mal colocada, de uma ideia transmitida, de um sentimento veiculado, eis que se opaca o acesso ao nosso íntimo, eis que se levantam barreiras, eis que cai a beleza de sermos nós próprios.
Não gosto de ser emocionalmente céptico, mas sinto que o sou cada vez com mais eficácia.
- Arranhado por Gato Gaspar @ 9/02/2009 07:44:00 PM
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